terça-feira, 29 de março de 2011

José Alencar

Acompanhei meu irmão durante o período de tratamento de um câncer. Junto com ele, em marcantes momentos, trocamos afetos e olhares em consultórios e salas de quimioterapia.
Primeiro foi o diagnóstico, episódio duro de saber. Depois foram consultas, quimioterapias e radioterapias em clínicas particulares.
Foi preciso somar os orçamentos até conseguirmos tratamento no CEPON em Florianópolis.
Hoje morreu José Alencar, um exemplo de lutador contra o câncer.
Lembrei da luta de muitos pacientes que vivem com a doença e, a exemplo de José Alencar, nunca perdem o otimismo na alegria de viver.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Pablo Neruda - Silencio

Yo que crecí dentro de un árbol
tendría mucho que decir,
pero aprendí tanto silencio
que tengo mucho que callar
y eso se conoce creciendo
sin otro goce que crecer,
sin más pasión que la substancia,
sin más acción que la inocencia,
y por dentro el tiempo dorado
hasta que la altura lo llama
para convertirlo en naranja

Saudade de Porto Alegre - 239 anos

domingo, 27 de março de 2011

Teatro em Florianópolis 2 e 3 de abril 2011 - O livro do Destino

Logo no inicio do espetáculo ocorre uma surpreendente interação com o público  quando uma atriz recita versos inspirados na visão do Inferno, contida no  livro A Divina Comédia, de Dante Alighieri.
O livro do Destino nos faz refletir sobre as infinitas oportunidades que podemos encontrar na vida. É só uma questão do nosso livre arbítrio. Somos as nossas escolhas...

domingo, 20 de março de 2011

Dia Internacional dos Contadores de Histórias 20 de março


Contar histórias é um ato de amor. É deixar o coração falar uma linguagem muito antiga, diretamente ao coração do ouvinte.
Contar histórias é trocar afetos, colocar-se no lugar do outro, sentir empatia e entregar uma mensagem construída por quem ouve e de acordo com a cultura local, mesmo que a história seja universal.
É pintar com a voz, os gestos, imagens que qualquer um entende. Contar histórias é fazer a vida valer a pena, de um jeito muito especial e encantador.

Superlua em Porto Alegre - RS - Brasil

domingo, 13 de março de 2011

Rebeca


Quantas vezes o nosso olhar cruzou
E eu percebi o que você queria?
Mas quando o nosso afeto se encontrou
Certamente era você que mais me conhecia

Experimentar a pureza irracional
Viver intensamente o presente
Sem as frescuras do homem social
Deixa muitas lições pra gente

E quando eu dizia, “Me dá a patinha...”
A confusão ficava armada
Você parecia uma rainha
E eu só fazendo palhaçada!

Você olhava tentando me entender
Quando eu fingia que ia comer a sua ração
Como era bom trocarmos de papéis
Eu ser Rebeca e você Julião

sábado, 12 de março de 2011

Cartola em Ré Maior

Japão, um exemplo de superação do ser humano

Há tragédias no teatro, nas paixões e decisões humanas e, as que despertam mais solidariedade, as da natureza.
O assunto de hoje é uma tragédia natural – O terremoto/tsunami do Japão - que ocupa a mídia internacional. Não é  pra menos!
Mas tem outra tragédia que volta ao Japão e faz seu povo lembrar das duas bombas atômicas lançadas pelo EUA no final da segunda guerra mundial quando os organismos estratégicos de inteligência já negociavam a rendição japonesa.
As bombas de Hiroshima e Nagasaki foram lançadas apenas para mostrar a superioridade dos EUA para o mundo, e negociar barganhas com os aliados (Rússia).
O Japão sofre com a tragédia natural que desencadeou outra tragédia, a radiação nuclear.
Duas usinas estão com vazamentos de material contaminado que ficarão na região por inúmeros anos.
Tenho certeza que o Japão dará ao mundo mais um exemplo de superação.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Vandalismo - Soneto decassílabo

Se os sonhos fossem feitos de cristais, imensas Caterais,qual seria  a dor maior,  quebrar os próprios sonhos ou ver alguém quebrá-los? 
Augusto dos Anjos reponde a pergunta no soneto Vandalismo, com as seguintes características de estrutura: rimas regulares, versos decassílabos, possui recursos sonoros como: rimas, aliterações, assonância.
Sei de memória porque, em muitas ocasiões, prefiro eu mesmo fazer o vandalismo do poeta.

Vandalismo
Meu coração tem catedrais imensas,
Templos de priscas e longínquas datas,
Onde um nume de amor, em serenatas,
Canta a aleluia virginal das crenças.


Na ogiva fúlgida e nas colunatas
Vertem lustrais irradiações intensas
Cintilações de lâmpadas suspensas
E as ametistas e os florões e as pratas.


Como os velhos Templários medievais
Entrei um dia nessas catedrais
E nesses templos claros e risonhos.


E erguendo os gládios e brandindo as hastas,
No desespero dos iconoclastas
Quebrei a imagem dos meus próprios sonhos!


Augusto dos Anjos nasceu no engenho "Pau d'Arco", em Paraíba do Norte, a 20 de abril de 1884, e morreu em Leopoldina (Minas Gerais) a 12 de novembro de 1914. Em 1907, bacharelou-se em Letras, na Faculdade do Recife, e, três anos depois, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde exerceu durante algum tempo o magistério.
Do Rio, transferiu-se para Leopoldina, por ter sido nomeado para o cargo de diretor de um grupo escolar. Morreu nessa cidade, com pouco mais de trinta anos.
 Apesar da sua juventude, os padecimentos físicos tinham-lhe gravado no semblante profundos traços de senilidade. Augusto dos Anjos publicou quase toda a sua obra poética no livro "Eu", que saiu em 1912.
O livro foi depois enriquecido com outras poesias esparsas do autor e tem sido publicado em diversas edições, com o título Eu e Outros Poemas. Se bem que nos tivesse deixado apenas este único trabalho, o poeta merece um lugar na tribuna de honra da poesia brasileira, não só pela profundidade filosófica que transpira dos seus pensamentos, como pela fantasia de suas divagações pelo mundo científico.
São versos que transportam a dor humana ao reino dos fenômenos sobrenaturais.
Suas composições são testemunhos de uma primorosa originalidade.

A árvore dos sapatos *

 A árvore dos sapatos
 (Do livro Contador de História, Julião Goulart, Editora UFSC 2009, p.22)
 História de Mia Couto que transformei em roteiro para  teatro  " O contador de histórias e a árvore dos sapatos" ,  peça que foi encenada em três temporadas, 2009,2010 e 2011, nos teatros da UBRO, UFSC, UDESC e TAC, recontada abaixo:

"Muito longe daqui, no Sul da África, não muito tempo atrás, vivia uma tribo que não usava sapatos. Pra quê sapatos? Se a areia era macia, a grama também.
Mas às vezes as pessoas tinham que ir à cidade. Para resolver um assunto, um negócio de cartório, hospital, ou receber dinheiro ou até mesmo ir a uma festa. Aí eles precisavam de sapatos, e era um tal de pedir emprestado, que nunca dava certo.
Foi aí que o velho mais velho da vila que, como tantas vezes acontece, era também o mais sábio  resolveu o problema. Ele abriu uma tenda de aluguel de sapatos bem na entrada da vila.
Instalou-se à sombra de uma grande árvore, e em seus galhos pendurou todo tipo de sapatos: sandálias, chinelos, alpargatas, botas, botinas, sapatos de salto alto, fechado atrás, aberto atrás, sapato de casamento, para enterro, de todas as cores, tipos e tamanhos.
As pessoas alugavam o sapato que queriam, iam pra cidade resolver seus assuntos e, na volta, devolviam. Claro, tinham que pagar aluguel.
Você sabe qual era o aluguel?
No fim da tarde, depois que todo mundo já tinha terminado o serviço, tomado banho no rio, jantado, todo o povo da vila se reunia para ouvir a pessoa que tinha alugado o sapato contar, com todos os detalhes, por onde aquele sapato tinha andado".

E você, saberia contar a história por onde os seus sapatos andaram nas jornadas da vida? Como seria?


Era uma vez...O Homem, as Quatro Serpentes, o Dragão, os Dois Ratos e o Favo de Mel *




A condição humana é simbolizada por um homem que se tinha escondido num poço para escapar à fúria de um elefante no cio. Suspenso pelas mãos em dois ramos de uma arbusto que crescia à beira do poço, olhou para baixo e viu quatro serpentes esticando a cabeça junto aos seus pés e, no fundo, um dragão esperando por ele de goela aberta. Olhou para  cima e viu dois ratos, um branco e outro um preto, a roerem os galhos que o sustentavam.
Enquanto refletia sobre a sua condição e procurava a salvação, deparou com um favo de mel de abelha ao seu lado. Provou o mel e achou tão saboroso  que esqueceu os perigos que o rodeavam e a necessidade de buscar a salvação. Não cuidou mais das quatro serpentes que lhe roçavam os pés, do dragão que o esperava de goela aberta, dos ratos que roíam os ramos.
A doçura do mel o distraiu até que os ramos foram cortados e ele caiu na bocarra do dragão e foi engolido.
Comparo a vida, neste mundo cheio de perigos e de sofrimentos, a este poço. As quatro serpentes são os quatro humores do corpo humano que, turvados, transformam-se  em veneno mortal, Os dois ramos são a idade que deve inevitavelmente terminar. Os dois ratos, o preto e o branco, são a noite e o dia a destruírem a nossa vida sem parar. O dragão é a morte inexorável. Quanto ao mel, é um pouquinho do deleite que o homem consegue desfrutar nesta vida e por causa do qual esquece seu drama, se distrai de seu destino e negligencia sua salvação.
* (Do livro “As mais Belas Páginas  da Literatura Árabe” Mansour Chalita, Editora Vozes, p.235)

Livro emprestado

Sinceramente, não gosto de pedir coisas emprestadas, exceto livros que tenho uma ansiedade desmedida de lê-los, e um cuidado redobrado para devolver a quem me emprestou.
Leio tudo que posso nos meus trajetos diários e deslocamentos. Painel de propaganda, jornal velho, revistas, não importa a data da publicação, as letras e frases ficam ali para quem quiser decifrá-las.
Até ao dirigir, meus olhos  passeiam rapidamente pelos dois lados da estrada em busca de letras.
Quando viajei pela Espanha, via rodovia, senti falta de “outdoors” para exercitar a minha mania.
É que lá, por razões de segurança, não é permitido nenhum tipo de letras nas laterais das rodovias. O quê se vê, são apenas figuras de touros, animal símbolo daquele país, mas sem nenhuma legenda.
Hoje acordei na madrugada para organizar idéias em projetos de teatro e cinema, entre outros e, olhando para a minha pequeníssima Biblioteca, lembrei de procurar o livro “Histórias para Executivos” que me foi emprestado pela Profa. Ms.  Eloá, da UFSC, quando fui preparar histórias para contar para um grupo de executivos de uma Empresa multinacional  no Hotel Majestic, em Florianópolis.
Procurando o livro da Eloá,  tive a oportunidade de encontrar alguns  livros que considero relíquias.
“As mais Belas Páginas da Literatura Árabe”, Mansour Chalita, Editora Vozes, 1973 é um deles.
Algumas letras e frases que encantam qualquer leitor:
“Conheço um caminho mais curto do que os outros rumo ao Paraíso: Não peças nada a ninguém: não tomes nada de ninguém; não guardes nada que possa ser dado” (p.327)
“Perguntei um dia ao meu Deus: “Onde estás?”
Respondeu-me: ”Onde estás tu?” (p. 54)
No amanhecer uma leve chuva me desviou da leitura. Parei para ouvir os pingos.
Fiz alguns versos:
“ A chuva chegou suave no amanhecer,
E ocupou a minha atenção,
Ouvindo a chuva pude perceber,
Aquele  ruído acalmar meu coração.
A chuva  ficando mais forte
E eu  mais reflexão
Era chuva vinda do norte
Em tudo há uma lição...”
Voltando ao livro que procurava, infelizmente não o encontrei.
Mesmo assim, fui à UFSC dizer isso pessoalmente para a minha querida ex-professora do Curso Contador de História.
Mas, pensando bem, acho que é bom ter sempre algo a procurar, um livro, uma nova realidade, um insight!
E é procurando que a gente encontra...

quarta-feira, 9 de março de 2011

Nem tudo é fácil - Cecília Meireles

É difícil fazer alguém feliz, assim como é fácil fazer triste.
É difícil dizer eu te amo, assim como é fácil não dizer nada
É difícil valorizar um amor, assim como é fácil perdê-lo para sempre.
É difícil agradecer pelo dia de hoje, assim como é fácil viver mais um dia.
É difícil enxergar o que a vida traz de bom, assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua.
É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo.
É difícil fazer alguém sorrir, assim como é fácil fazer chorar.
É difícil colocar-se no lugar de alguém, assim como é fácil olhar para o próprio umbigo.
Se você errou, peça desculpas...
É difícil pedir perdão? Mas quem disse que é fácil ser perdoado?
Se alguém errou com você, perdoa-o...
É difícil perdoar? Mas quem disse que é fácil se arrepender?
Se você sente algo, diga...
É difícil se abrir? Mas quem disse que é fácil encontrar
alguém que queira escutar?
Se alguém reclama de você, ouça...
É difícil ouvir certas coisas? Mas quem disse que é fácil ouvir você?
Se alguém te ama, ame-o...
É difícil entregar-se? Mas quem disse que é fácil ser feliz?
Nem tudo é fácil na vida...Mas, com certeza, nada é impossível
Precisamos acreditar, ter fé e lutar
para que não apenas sonhemos, Mas também tornemos todos esses desejos,
realidade!!!
Cecília Meireles

domingo, 6 de março de 2011

Carnaval 2011 – Florianópolis


Atendendo ao gentil convite do grupo Infantil  boi-de-mamão do bairro  João Paulo e da Sociedade Folclórica boi-de-mamão do Itacorubi, fui para a avenida. Abrimos o carnaval da cidade de Florianópolis.
Folclore e cidadania são temas que estou pesquisando para contar histórias no teatro,
Os voluntários do Grupo Infantil  boi-de-mamão ensinam para as crianças música, teatro e  folclore
Mostram que é possível construir cidadania através das  Artes:  música, teatro  e cultura popular.
Breve postarei neste Blog matéria sobre o Grupo Infantil que visitei nos ensaios e reuniões. Um exemplo de cidadania.
Algumas fotos do primeiro dia do carnaval de Florianópolis.

Momentos de descontração na Concentração do Desfile
Festa dos iguais também  na alegria e no sorriso 
Diretores na Avenida, Fininho e Edílson
Mãe e filha compartilham o mesmo olhar

Tirei as crianças das fantasias para uma foto.
Foi legal!


Uma reflexão:  Dizem que é no carnaval que retiramos as nossas máscaras e que, na quarta-feira de cinzas, com tristeza,  as recolocamos para viver mais um ano numa sociedade hipócrita onde todos usam máscaras...

quarta-feira, 2 de março de 2011

Busque Amor novas artes, novo engenho

As artes, especialmente o teatro, são fontes de esperança, uma energia nova para quem pisa no palco e sabe dar valor ao espetáculo, depois de vencer os caminhos difíceis de quem faz teatro por amor.
Na caixa de Pandora só ficou a esperança, o princípio de uma nova força.
Minha homenagem a roteiristas, diretores, iluminadores, atores e atrizes que não desistem nunca e levam  alegria e cultura para o povo, num soneto de Luís Vaz de Camões:


Busque Amor novas artes, novo engenho
Para matar-me, e novas esquivanças,
Que não pode tirar-me as esperanças,
Que mal me tirará o que eu não tenho.


Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho.


Mas, enquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê,


Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como e dói não sei porquê.