sábado, 30 de abril de 2011

O homem que procurava a mulher perfeita para casar.

Era uma vez...
O homem que procurava a mulher perfeita para casar.

Um homem solteiro, já de idade avançada, contava a um amigo a sua busca de uma mulher perfeita para casar.
O amigo perguntou: - Então, você nunca pensou em casamento?
- Já pensei. Em minha juventude, resolvi procurar e conhecer a mulher perfeita. Atravessei o deserto, nas minhas buscas, até que cheguei em Damasco e conheci uma mulher espiritualizada e lindíssima, mas ela não tinha os “pés no chão” pois nada sabia das coisas do mundo.
Continuei a viagem, e fui a Isfahan; lá encontrei uma mulher que conhecia o reino da matéria e do espírito, mas não era uma moça bonita. Então resolvi ir até o Cairo, lá no Egito, onde jantei na casa de uma moça muito bonita, religiosa e conhecedora da realidade material. Era a mulher perfeita!
- E por que você não casou com ela? – perguntou seu amigo.
Ah, meu companheiro! Infelizmente ela também procurava um homem perfeito.
(Extraído do meu livro Contador de História, p. 30 UFSC - 2008)

Abaixo, em contraste, ilustração da mulher que procurava um homem perfeito para casar. Desconheço a autoria da ilustração.


quinta-feira, 28 de abril de 2011

GAIVOTAS

Bando de gaivotas
Cortam o infinito dos céus,
No seu vôo elas definem
O sentido maravilhoso e exato
Do que seja liberdade.
No seu vôo tranquilo
Parece às vezes
Que estamos diante
De uma orquestra magistral,
Onde são entoados salmos,
Salmos louvando a paz,
Canto sem silêncio
Em prol da libertação...
E o homem veste as roupagens da gaivota,
Tenta alçar o vôo,
Mas não consegue alcançar os céus
Nem a paz tão desejada,
As asas se partem
E ele cai por terra...

(Olympiades Guimarães Corrêa
- In Eterna procura )

sábado, 23 de abril de 2011

Te Ofereço Paz


Te ofereço paz
Te ofereço amor
Te ofereço amizade

Ouço tuas necessidades
Vejo tua beleza
Sinto os teus sentimentos

Minha sabedoria flui
De uma fonte superior
E reconheço esta fonte em ti
Trabalhemos juntos, trabalhemos juntos...

 (Antigo mantra de paz recitado por Ghandi, traduzido para vários idiomas e que dedico aos internautas que visitam meu Blog)

São Jorge da Capadócia - Padroeiro dos guerreiros do bem. By Zeca Pagodinho

quarta-feira, 20 de abril de 2011

FELIZ PÁSCOA! Renovação, recomeço de caminhada...

A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam.
E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa.
Quando o visitante sentou na areia da praia e disse:
“Não há mais o que ver”, saiba que não era assim.
O fim de uma viagem é apenas o começo de outra.
É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite, com o sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava.
É preciso voltar aos passos que foram dados, para repetir e para traçar caminhos novos ao lado deles.
É preciso recomeçar a viagem. Sempre.! (José Saramago)

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Como manter-se jovem

GUARDE ESTA RECEITA MARAVILHOSA!
 (Mensagem recebida pelo internet do amigo Ronaldo Rabello, de Porto Alegre, desconheço a autoria)

Dona "Maria Jiló" é uma senhora de 92 anos,  miúda,
e tão elegante, que todo dia às 08 da manhã ela já está toda  vestida, bem penteada e discretamente maquiada, apesar de sua pouca visão.
E hoje ela se mudou para uma casa de repouso: o marido,  com quem ela viveu 70 anos, morreu recentemente, e não havia outra  solução.
Depois de esperar pacientemente por duas horas na sala  de visitas, ela ainda deu um lindo sorriso quando a atendente veio  dizer que seu quarto estava pronto. Enquanto ela manobrava o andador em  direção ao elevador, dei uma descrição do seu minúsculo quartinho,  inclusive das cortinas floridas que enfeitavam a janela.
Ela me  interrompeu com o entusiasmo de uma garotinha que acabou de ganhar um  filhote de cachorrinho.
- Ah, eu adoro essas cortinas...
-  Dona "Maria Jiló", a senhora ainda nem viu seu quarto... Espera um  pouco...
- Isto não tem nada a ver, ela respondeu, felicidade é algo que você decide por  princípio. Se eu vou gostar ou não do meu quarto, não  depende de  como a mobília vai estar arrumada... Vai depender de como eu preparo  minha expectativa.
E eu já decidi que vou adorar. É uma decisão  que tomo todo dia quando acordo.
Sabe, eu  posso passar o dia inteiro na cama, contando as dificuldades que tenho  em certas partes do meu corpo que não funcionam bem..
Ou posso  levantar da cama agradecendo pelas outras partes que ainda me obedecem.  
- Simples assim?
- Nem tanto; isto é para quem tem  autocontrole e todos podem aprender,  e exigiu de mim um certo 'treino' pelos anos afora, mas é  bom saber que ainda posso dirigir meus pensamentos e escolher, em  conseqüência, os sentimentos.
Calmamente ela continuou:
-  Cada dia é um presente, e enquanto meus olhos se abrirem, vou focalizar  o novo dia, mas também as lembranças alegres que eu guardei para esta  época da vida.  A velhice é como uma conta bancária: você só retira  aquilo que guardou. Então, meu conselho para você é depositar um monte  de alegrias e felicidade na sua Conta de Lembranças. E, aliás, obrigada  por este seu depósito no meu Banco de lembranças. Como você vê, eu ainda  continuo depositando e acredito que, por mais complexa que seja a vida,   sábio é quem a simplifica.
Depois me pediu para  anotar:
COMO MANTER-SE JOVEM
1. Deixe fora os números  que não são essenciais. Isto inclui a idade,o peso e a altura.
Deixe  que os médicos se preocupem com isso.
2. Mantenha só os amigos  divertidos. Os depressivos puxam para baixo.  
(Lembre-se disto se for um desses depressivos!)
3. Aprenda  sempre:
Aprenda mais sobre computadores, artes, jardinagem, o que  quer que seja. Não deixe que o cérebro se torne preguiçoso.
'Uma  mente preguiçosa é a oficina do Alemão.' E o nome do Alemão é  Alzheimer!
4. Aprecie mais as  pequenas coisas - Aprecie mais.
5. Ria muitas vezes, durante muito tempo e  alto. Ria até lhe faltar o ar.
E se tiver um amigo que o faça rir,  passe muito e muito tempo com ele /ela!
6.  Quando as lágrimas aparecerem
Aguente, sofra e ultrapasse.
A  única pessoa que fica conosco toda a nossa vida somos nós próprios.  
VIVA enquanto estiver vivo.
7. Rodeie-se das coisas que  ama:  
Quer seja a família, animais, plantas, hobbies, o que  quer que seja.
O seu lar é o seu refúgio. Não o descarte..
8. Tome cuidado  com a sua saúde:
Se é boa, mantenha-a.
Se é instável, melhore-a.  
Se não consegue melhora-la , procure ajuda.
9. Não faça  viagens de culpa. Faça uma viagem ao centro comercial, até a um país  diferente, mas NÃO para onde  haja culpa.
10. Diga às pessoas que as ama e que  ama a cada  oportunidade de estar com elas.
E, se não mandar isto a pelo  menos quatro pessoas - quem é que se importa?
Serão apenas menos  quatro pessoas que deixarão de sorrir ao ver uma mensagem sua.  
Mas se puder, pelo menos, partilhe com alguém!
"O que de nós vale a pena se não tocarmos o coração das pessoas?"

" O mundo é de quem se atreve."


"Um dia você aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida." 

domingo, 17 de abril de 2011

Etimologia de sincero

No Dicionário Universal da Língua Portuguesa, a palavra “sincero”  tem origem no latim “sinceru”, (puro) e quer dizer “verdadeiro, que diz francamente o que sente; em que não há disfarce ou malícia, leal, simples.”
“Sine cera” como diziam  os Romanos na sua língua vulgata.
Há muitas versões sobre a origem da palavra, algumas sem sustentação científica e que viraram mitos.
Os romanos fabricavam vasos de um tipo de cera. Durante o processo, muitos vasos rachavam. Para esconder tais defeitos, os fabricantes usavam uma cera especial para tapar as rachaduras. A qualidade dos vasos era determinada pela ausência de defeitos.
Um vaso perfeito, muito fino, que deixava ver através de suas paredes aquilo que guardava dentro de si. O vocábulo sincero evoluiu e passou a ter um significado muito elevado. Sincero, é aquele que é franco, leal, verdadeiro, que não oculta, que não usa disfarces, malícias ou dissimulações. Aquele que é sincero, como acontecia com o vaso, deixa ver através de suas palavras aquilo que está guardado em seu coração, sem nada temer nem ocultar.
Outra versão mitológica para explicar a origem da palavra deriva dos bailes de máscara  frequentados pela nobreza, as máscaras eram feitas de cera, e quando um homem desejava conhecer uma mulher como ela realmente era, dizia-se que queria conhecê-la “sine cera”.
Versão mais recente vem dos vendedores de mel ao vender seu produto de porta em porta, diziam aos moradores que podiam confiar que o mel era puro, sem cera, pois o mel com cera era de qualidade inferior.
Nos dicionários Houaiss e Aurélio não aparecem essas supostas etimologias.
Já na Bíblia há destaco duas:
"Amados, escrevo-vos agora esta segunda carta, em ambas as quais desperto com exortação o vosso ânimo sincero" (2 Pedro 3 : 1)
“Aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura.” (Hebreus 10 : 22)

Da Preguiça como Método de Trabalho - Mário Quintana

Não sei pensar a máquina, isto é, faço o meu trabalho criativo primeiramente a lápis. Depois, com o queixo apoiado na mão esquerda, repasso tudo a máquina com um dedo só.
– Mas isto não custa muito?
– Custar, custa, mas dura mais.
Não despertemos o leitor. Os leitores são, por natureza, dorminhocos. Gostam de ler dormindo.
Autor que os queira conservar não deve ministrar-lhes o mínimo susto. Apenas as eternas frases feitas.
“A vida é um fardo”; isto, por exemplo, pode-se repetir sempre. E acrescentar impunemente: “disse Bias”. Bias não faz mal a ninguém, como, aliás, os outros seis sábios da Grécia, pois todos os sete, como há vinte séculos já se queixava Plutarco, eram uns verdadeiros chatos. Isto para ele, Plutarco. Mas, para o grego comum da época, devia ser a delícia e a tábua de salvação das conversas.
Pois não é mesmo tão bom falar e escrever sem esforço? O lugar-comum é a base da sociedade, a sua política, a sua filosofia, a segurança das instituições. Ninguém é levado a sério com ideias originais.
Já não é a primeira vez, por exemplo, que um figurão qualquer declara em entrevista: “O Brasil não fugirá ao seu destino histórico”. O êxito da tirada, a julgar pelo destaque que lhe dá a imprensa, é sempre infalível, embora o leitor semidesperto possa desconfiar que isso não quer dizer coisa alguma, pois nada foge mesmo ao seu destino histórico, seja um Império que desaba ou uma barata esmagada.
A preguiça é a mãe do progresso. Se o homem não tivesse preguiça de caminhar, não teria inventado a roda. Não poderia viajar pelo mundo inteiro.
Conta-se que em fins do século passado, num remoto país do Oriente, a viagem da capital à fronteira levava nada menos que trinta dias, e ainda por cima a lombo de camelo. E sucedeu que um engenheiro britânico ali residente, em nome do progresso, resolveu remediar a coisa.
– Enfim – concluiu ele, após uma audiência com o respectivo xá, ou coisa que o valha –, construindo-se a estrada de ferro de que o país tanto necessita, a viagem até a fronteira poderá ser feita em um só dia!
– Mas – objetou o velho monarca, que o ouvira com uma paciência verdadeiramente oriental – o que é que a gente vai fazer dos vinte e nove dias que sobram?!


E o mais confortador das longas viagens de trem são esses burricos pensativos que vemos à beira da estrada e nos poupam assim o trabalho de pensar...
Certa vez abalancei-me a um trabalho intitulado “Preguiça”. Constava do título e de duas belas colunas em branco, com a minha assinatura no fim. Infelizmente não foi aceito pelo supercilioso coordenador da página literária.
Já viram desconfiança igual?
Censurar uma página em branco é o cúmulo da censura.
Em suma: o que prejudica a minha preguiça prejudica o meu trabalho.


Compensação:
Suave preguiça que, do malquerer
E de tolices mil, ao abrigo nos pões...
Por tua causa, quantas más ações
Deixei de cometer!


In: QUINTANA, Mario (1987) Da Preguiça Como Método de Trabalho. 2. ed. São Paulo: Globo, 2007, p. 39-41.

sábado, 16 de abril de 2011

Poema Tu e Eu

Tu e eu, ao perdermos um ao outro,
ambos perdemos.
Eu, porque tu eras o que
eu mais amava,
tu, porque eu era quem te amava mais.
Mas, entre nós dois,
tu perdes mais do que eu.
Porque eu poderei amar
a outras
como amei a ti.
Mas a ti nunca ninguém
jamais amará
como eu te amei.


Ernesto Cardenal, 1971
(Tradução de Paulo Sant'ana)


Já recitei muitos versos do poeta e monge nicaragüense, em bares, encontros literários, reuniões de poetas e até nas caminhadas silenciosas enquanto exercito o corpo aproveito para dar um “treino” na memória.
Um dia estudando teatro de vanguarda, na UFSC, com o Grupo Pesquisa Teatro Novo, coordenado pela minha querida Diretora Carmen Fossari, assistimos a um vídeo onde trabalhadores rurais dramatizavam com bonecos gigantes uma forma de protesto contra a exclusão social. No vídeo, em p & b, lá estava Ernesto Cardenal. Como diz na música de Milton Nascimento, “... o artista tem que estar onde o povo está.”
Ernesto Cardenal nasceu em Granada, Nicarágua, em 1925. Em 1954 participou na rebelião contra a ditadura de Somoza. Foi monge trapense, ordenou-se sacerdote e fundou a comunidade de Solentiname, em uma ilha do lago da Nicarágua. Vinculado à frente sandinista desde 1978, foi ministro de Cultura de duas legislaturas. Sua obra poética compreende, entre outros títulos, Salmos, Oração por Marilyn Monroe e outros poemas.
Há muitas versões de traduções de Cardenal para o nosso idioma.
Gosto da tradução de Paulo Sant'ana, jornalista e comentarista de futebol que conheci por acaso, numa roda de discussão sobre futebol, num intervalo de aula no bar da PUC-RS, 1975. Na época ele estudava Ciências Jurídicas e Sociais e eu Engenharia Eletrônica.
Jornalista autografando seu livro (foto ZH)
Mas. Voltando ao poeta da Nicarágua, em 2005, Cardenal foi candidato ao Prémio Nobel de Literatura e, entre outras distinções, recebeu o Prémio Rubén Darío, o mais importante das letras nicaraguenses (em 1965), a Ordem cubana "Haydeé Santamaría" (1990) e o Prêmio da Paz dos livreiros alemães (1980).
Nós leitores, poetas e admiradores refletimos sempre que encontramos seus escritos e Paulo Sant'ana, é o seu maior intérprete no idioma de Camões.


quarta-feira, 13 de abril de 2011

Vida é movimento, para manter o equilíbrio é só continuar pedalando.

Life is like riding a bicycle; and, to keep your balance  you must keep moving!   (Albert Einstein)

Bicicleta não tem marcha à ré. Só anda pra frente. Do presente para o futuro.


domingo, 10 de abril de 2011

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Oração da Serenidade e a lixeira de emoções

Num processo rotineiro e necessário de enviar mensagens, spam, coisas já lidas na internet pra lixeira,  pensei como seria bom poder usar o mesmo artifício para deletar episódios do passado que hoje insistem atrapalhar o presente e até planos futuros, que interferem no agora da vida com a evocação espontânea de memórias tristes, vividas em experiências pessoais ou em grupo.
A vida não tem roteiro como no teatro e cinema, não resolvemos questões clicando em teclas de atalhos, como se estivéssemos diante de um computador.
A vida é como se apresenta no mundo real, bem diferente da forma que a idealizamos.
Como diz uma antiga oração ecumênica
“Não podemos modificar o passado” na Oração da Serenidade, abaixo
Concede-me, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar as que eu posso e sabedoria para distinguir uma da outra – vivendo um dia de cada vez, desfrutando um momento de cada vez, aceitando as dificuldades como um caminho para alcançar a paz.