quarta-feira, 11 de setembro de 2013

O sermão ideal e a importância de contar histórias

Transcrevo matéria de autoria do Frei Aldo Colombo

O sermão ideal

Pesquisa efetuada numa paróquia de classe média na capital paulista revela a reação dos fiéis diante das pregações dominicais. Nada menos de 62% dos entrevistados ao final da missa, nada mais lembravam do sermão; outros 30% lembravam alguns dados, mas sem um dado conclusório. Um percentual grande dos presentes - cerca de 67% - não havia gostado do sermão e entre as principais restrições: a duração e o tom moralista.
Mesmo não se tratando de uma pesquisa científica, as conclusões concordam com o modo geral do sentir dos fiéis diante da pregação. Evidentemente, esta muda de acordo com o padre. De resto, sermão tornou-se sinônimo de algo negativo, aborrecido e moralista. Alfred McBride, professor de homilética do Instituto João XXIII de Massachussetts coloca os ingredientes do sermão ideal.
Começar com uma história. Os fiéis chegam à igreja com sua própria história. Levam dentro de si um filme pessoal cheio de inquietações, temores e esperanças para si mesmos e seus familiares. A primeira atitude do pregador é atrair a atenção e nada melhor que contar uma história que sirva de referência para a Palavra de Deus anunciada. A pregação de Cristo está cheia de fatos, tirados do dia-a-dia. Outras vezes Ele mesmo elabora uma história - parábola - da qual tira as necessárias conclusões. Será a história que irá lembrar o objetivo doutrinal. Hoje vivemos a civilização audiovisual e existe ainda maior dificuldade em acompanhar uma exposição puramente verbal.
Apresentar somente um ponto. Uma homilia que tenha força é como um rifle com uma única bala direcionada ao coração. Não se limitar a um ponto é falta de disciplina retórica. De alguma maneira o pregador defende uma pequena tese e esta deve ter um andamento linear. Caso contrário, encherá o espaço com numerosos detalhes. Este único ponto, já lembrava Santo Tomás de Aquino, pode ser desenvolvido em três partes, desde que tenham lógica entre si.
Ter um objetivo claro. Este ponto depende, quase sempre, de uma cuidadosa preparação. Isto significa começo, desenvolvimento lógico e conclusão. O grande orador romano Cícero recomendava sempre escrever antes o texto. Mas isto não quer dizer que o sermão deva ser lido. É muito útil ter em frente um papel com o esquema central da pregação.
Olhar e amar as pessoas. O sermão precisa ser uma comunhão entre o pregador e os ouvintes. A homilia precisa ser uma conversação de fé e um testemunho de um pregador que é um pastor cheio de amor para com o seu povo. Nada pior que o moralismo e a amargura. Num passado recente, no Brasil, o profetismo foi substituído pela amargura, o que acabou afastando muita gente das comunidades. Hoje voltou com força a Pastoral da Acolhida, que deve refletir-se também no sermão. Cristo atacava atitudes, mas amava as pessoas. Os Atos dos Apóstolos nos contam a atitude de um pregador de Antioquia que pediu: "Se alguém tiver uma palavra de encorajamento, pode falar" (Atos 13,15).

Pregar a Cristo. Os quatro Evangelhos são exemplos de como os apóstolos pregavam. Seu objetivo eram as palavras, os milagres, os gestos, o mistério de Jesus de Nazaré. Como o tempo do sermão é curto deve ser priorizado o anúncio de Jesus. Para a catequese existem outros espaços. No final da reunião dominical, o ouvinte deve ter-se apaixonado um pouco mais da pessoa de Jesus e lembrar um fato que o ajude a lembrar seus ensinamentos e torná-los vida.