segunda-feira, 28 de maio de 2012

CIÚME

Meu poema favorito, que recito de duas maneiras: frio (na leitura) para quem ouve construir as suas emoções, e quente, onde eu vivo as emoções do momento do poeta. É uma questão de gosto e subjetividades. Gosto de respeitar as duas opiniões. Só não recito MORNO, PORQUE VOMITO...

Guilherme de Almeida foi um dos maiores expoentes da literatura brasileira, sendo considerado um precursor da escola modernista. Faleceu em 1969

CIÚME

“Minha melhor lembrança é aquele instante no qual

Pela primeira vez, me entrou pela retina

Tua silhueta, provocante e fina

Como um punhal

Depois, passaste a ser unicamente aquela

Que a gente se habitua a achar apenas bela

E que é quase banal.

E agora que te tenho em minhas mãos e sei

Que os teus nervos se enfeixam todos em meus dedos

E os teus sentidos são cinco brinquedos

Com que brinquei

Agora que não mais me és inédita; agora

Que eu compreendo que, tal como te vira outrora

Nunca mais te verei

Agora que de ti, por muito que me dês

Já não podes dar a impressão que me deste

A primeira impressão, que me fizeste

Louco talvez

Tenho ciúme de quem não te conhece ainda

E cedo ou tarde te verá, pálida e linda

Pela primeira vez.”

quinta-feira, 24 de maio de 2012

O Contador de Histórias



Era uma vez...eu estava contando histórias para um grupo de crianças e seus pais.

Para descontrair e começar a minha fala, perguntei se alguém já conhecia a história “O patinho feio”, de autoria do dinamarquês Hans Christian Andersen, uma das histórias mais conhecidas de todos os públicos, crianças, jovens e adultos. A resposta foi afirmativa e unânime.

Então pedi que cada um contasse uma pouco da história para exercitar a memória e a arte de contar histórias. Eu era o ouvinte, fui fazer oratória mas invertemos os papeis, eu praticava a "escutatória" e o grupo inteiro contava uma história para mim.
Percebi que uma menina, que tinha levantado a sua mão com muito entusiasmo para sinalizar que conhecia a famosa história. Mas, ao chegar a sua vez de falar, silenciou de tal forma que chamou a minha atenção. Ela ficou calada até o final da história.

Sabemos que o conto de Andersen – o patinho feio – trabalha o psicológico da rejeição do diferente. Mas, às vezes, ser diferente (o personagem da história era um cisne, não um pato como todos pensavam inicialmente) pode revelar-se como uma vantagem, na beleza e na elegância de um cisne, como na história. 
Finalizamos o encontro resumindo, na conclusão do grupo:
Quando somos julgados pelas aparências, e em muitas vezes isso ocorre de forma silenciosa, nos sentimos discriminados, rejeitados. O mesmo sentimento acontece com aqueles que nós discriminamos.
Nos despedimos no final do encontro e cada um voltou para a sua casa.
Dias depois encontrei a mãe daquela menina que não quis falar e nem comentar nada no encontro de contação de histórias. Ela agradeceu-me pela ajuda que eu tinha dado para a sua filha ao lembrar a história “O patinho feio”. É que sua filha,como ela, era estrangeira e a família mudou residência para o Brasil em função do trabalho do pai.
Contou-me que a menina estava com dificuldades de adaptação na escola. Havia uma dificuldade em falar corretamente a língua portuguesa, razão de ser motivo de chacota e risos de parte de algumas colegas de aula. 
A menina, aos se identificar com a personagem patinho feio, acreditou que a sua rejeição era apenas uma incompreensão de pessoas que não a conhecia por ser de outra cultura. 
Relato essa experiência com o objetivo de destacar o poder transformador de uma história para ressignificar mudanças, perdas e outros conflitos da alma humana.
Um discurso, por mais eloquente que possa se apresentar faculta ser contestado, mas uma história, fantasiosa ou real, induz ao silêncio da reflexão subjetiva, sempre carregada de descobertas pessoais. 
É um convite para o sonhar e sonhando, formar o próprio caminho, pontes para jornada da vida.
(Extraído do meu livro O Contador de Histórias)

terça-feira, 22 de maio de 2012

Quem dobrou o seu paraquedas hoje?

Charles era piloto de um bombardeiro na guerra do Vietnã.
Depois de muitas missões de combate, seu avião foi derrubado por um míssil.
  Charles saltou de pára-quedas, foi capturado e passou seis anos numa prisão norte-vietnamita. Ao retornar aos Estados Unidos, passou a dar palestras relatando sua odisseia e o que aprendera na prisão.
Certo dia, num restaurante, foi saudado por um homem:
Olá, você é Charles, era piloto no  Vietnã e foi derrubado, não é mesmo?"
- Sim, como sabe?, - perguntou Charles.
- Era eu quem dobrava o seu pára-quedas. Parece que funcionou bem, não é verdade?
Charles quase se afogou de surpresa e com muita gratidão respondeu:
- Claro que funcionou, caso contrário eu não estaria aqui hoje.

Ao ficar sozinho naquela noite, Charles não conseguia dormir, pensando e perguntando-se:

“Quantas vezes vi esse homem no porta-aviões e nunca lhe disse Bom Dia? Eu era um piloto arrogante e ele um simples marinheiro."
Pensou também nas horas que o marinheiro passou humildemente no barco enrolando os fios de seda de vários pára-quedas, tendo em suas mãos a vida de alguém que não conhecia. Agora, Charles inicia suas palestras  perguntando à sua platéia:
"Quem dobrou seu pára-quedas hoje?"
Todos temos alguém cujo trabalho é importante para que possamos seguir adiante. Precisamos de muitos pára-quedas durante o dia: um físico, um emocional, um mental e até um espiritual.
Às vezes, nos desafios que a vida nos apresenta diariamente, perdemos de vista o que é verdadeiramente importante e as pessoas que nos salvam no momento oportuno sem que lhes tenhamos pedido.
Deixamos de saudar, de agradecer, de felicitar alguém, ou ainda simplesmente de dizer algo amável.
Hoje, esta semana, este ano, cada dia, procura dar-se conta de quem prepara seu pára-quedas, e agradecer.
Ainda que você não tenha nada de importante a dizer, agradeça com um sorriso.
As pessoas ao seu redor notarão esse gesto, e lhe retribuirão preparando seu pára-quedas com esse mesmo afeto.
Todos precisamos uns dos outros, por isso, mostre sua gratidão.
Às vezes as coisas mais importantes da vida dependem apenas de ações simples. 
Só um telefonema, um sorriso, um agradecimento, um  “eu gosto de Você” pode fazer uma grande diferença.
Como é bom a gente manifestar o amor e a gratidão!

domingo, 20 de maio de 2012

Aceitar as pessoas como elas são...



O desafio de não sorrir


Existem pessoas cuja presença é motivo de alegrias e bons humores. Só de olhá-las rimos das alegrias da vida.
São os otimistas, os loucos e os arlequins que nos tiram da seriedade do passado e do mundo material.
Quando rimos estamos no presente, no aqui e no agora. 

sábado, 19 de maio de 2012

Lição de Solidariedade

              "Há alguns anos, nas Olimpíadas Especiais de Seattle, nove participantes, todos com deficiência mental ou física, alinharam-se para a largada da corrida dos 100 metros rasos.

     Ao sinal, todos partiram, não exatamente em disparada, mas com vontade de dar o melhor de si, terminar a corrida e GANHAR. Todos, com exceção de um garoto, que tropeçou no asfalto, caiu rolando e começou a chorar.

     Os outros oito ouviram o choro, diminuíram o passo e olharam para trás.
     Então eles viraram e voltaram. Todos eles.

        Uma das meninas, com Síndrome de Down, ajoelhou, deu um beijo no garoto e disse:

     - Pronto, agora vai sarar.

     Todos os nove competidores deram os braços e andaram juntos até a linha de chegada. O estádio inteiro levantou e os aplausos duraram muitos minutos.

     As pessoas que estavam ali, naquele dia, continuam repetindo essa história até hoje.
Talvez os atletas fossem deficientes físicos ou mentais... Mas, com certeza, não eram deficientes da sensibilidade...

     Por que ? Porque, lá no fundo, todos nós sabemos que o que importa nesta vida é mais do que ganhar sozinho. 
O QUE IMPORTA É AJUDAR OS OUTROS A VENCER, MESMO QUE ISSO SIGNIFIQUE DIMINUIR O PASSO E MUDAR DE CURSO...
Autor Desconhecido

sexta-feira, 18 de maio de 2012

A vizinha e a janela


Em uma cidade existia uma mulher que morava sozinha,
e tinha como vizinhos um casal de idosos.
Então esta mulher lavava as roupas, e as colocavam em seu varal
e a senhora idosa, lá de dentro da casa dela, olhava as roupas no varal,
e dizia ao marido dela:
- Olha velho, como aquela vizinha é desmazelada, as roupas dela,
ela lava e ficam todas sujas!!     E o velho sentado em sua cadeira de balanço,
ficava quieto e não fazia comentários sobre aquilo ali.
Então a vizinha tornou a lavar as roupas e coloca-las no varal,
e a velha sentada na cadeira de dentro da casa dela,
comentou novamente com o velho, olha velho aquela vizinha é muito porca,
ela lava as roupas e ficam todas sujas, como que pode ser assim?
E o velho sempre lendo seu jornal, preferia não comentar.
Então, um dia, o velho indignado com sua esposa, levantou-se mais cedo.
A velha nem perguntou o porque.
Então a vizinha, lavou todas as roupas brancas, e deixou-as limpas,
como nunca, e a velha sentada em sua cadeira fazendo tricô, e o velho lendo o jornal.
A velha comentou, olha velho, parece que a vizinha fez algum curso
para aprender a lavar as roupas, ou então alguém lavou as roupas pra ela,
as roupas estão branquinhas.
O velho levantou-se colocou o jornal em sua cadeira e disse para a velha:
Não foi a vizinha que fez curso, e ninguém lavou as roupas dela,
hoje quando levantei mais cedo, lavei as janelas daqui de casa.




     

sábado, 12 de maio de 2012

Mãe


Mãe...São três letras apenas
As desse nome bendito:
Também o céu tem três letras
E nelas cabe o infinito
Para louvar a nossa mãe,
Todo bem que se disser
Nunca há de ser tão grande
Como o bem que ela nos quer
Palavra tão pequenina,
Bem sabem os lábios meus
Que és do tamanho do CÉU
E apenas menor que Deus!

(Mário Quintana)

terça-feira, 8 de maio de 2012

Rádio Cultura entrevista


Depois de entrevistar o escritor Moacir Lisboa da Costa, que me presenteou com dois de seus livros,  encontrei nos corredores da Rádio a apresentadora Cida, do programa Tarde com Maria e o seu convidado, Hermano Pablo Maria, um Monge que vive em Quito, Equador.
Fomos todos para as fotos.
Hermando Pablo e Luis
Yo