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Livro emprestado

Sinceramente, não gosto de pedir coisas emprestadas, exceto livros que tenho uma ansiedade desmedida de lê-los, e um cuidado redobrado para devolver a quem me emprestou.
Leio tudo que posso nos meus trajetos diários e deslocamentos. Painel de propaganda, jornal velho, revistas, não importa a data da publicação, as letras e frases ficam ali para quem quiser decifrá-las.
Até ao dirigir, meus olhos  passeiam rapidamente pelos dois lados da estrada em busca de letras.
Quando viajei pela Espanha, via rodovia, senti falta de “outdoors” para exercitar a minha mania.
É que lá, por razões de segurança, não é permitido nenhum tipo de letras nas laterais das rodovias. O quê se vê, são apenas figuras de touros, animal símbolo daquele país, mas sem nenhuma legenda.
Hoje acordei na madrugada para organizar idéias em projetos de teatro e cinema, entre outros e, olhando para a minha pequeníssima Biblioteca, lembrei de procurar o livro “Histórias para Executivos” que me foi emprestado pela Profa. Ms.  Eloá, da UFSC, quando fui preparar histórias para contar para um grupo de executivos de uma Empresa multinacional  no Hotel Majestic, em Florianópolis.
Procurando o livro da Eloá,  tive a oportunidade de encontrar alguns  livros que considero relíquias.
“As mais Belas Páginas da Literatura Árabe”, Mansour Chalita, Editora Vozes, 1973 é um deles.
Algumas letras e frases que encantam qualquer leitor:
“Conheço um caminho mais curto do que os outros rumo ao Paraíso: Não peças nada a ninguém: não tomes nada de ninguém; não guardes nada que possa ser dado” (p.327)
“Perguntei um dia ao meu Deus: “Onde estás?”
Respondeu-me: ”Onde estás tu?” (p. 54)
No amanhecer uma leve chuva me desviou da leitura. Parei para ouvir os pingos.
Fiz alguns versos:
“ A chuva chegou suave no amanhecer,
E ocupou a minha atenção,
Ouvindo a chuva pude perceber,
Aquele  ruído acalmar meu coração.
A chuva  ficando mais forte
E eu  mais reflexão
Era chuva vinda do norte
Em tudo há uma lição...”
Voltando ao livro que procurava, infelizmente não o encontrei.
Mesmo assim, fui à UFSC dizer isso pessoalmente para a minha querida ex-professora do Curso Contador de História.
Mas, pensando bem, acho que é bom ter sempre algo a procurar, um livro, uma nova realidade, um insight!
E é procurando que a gente encontra...

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