quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Oficina de Roteiro Cinematográfico em Florianópolis

O Projeto Agenda Cultural 2009 do Museu Victor Meirelles promoveu, nos dias 28 e 29 de setembro, a oficina “Três filmes, três roteiros”, com o diretor e roteirista Tabajara Ruas.


A atividade teve por objetivo oferecer os princípios básicos do roteiro cinematográfico e fornecer ao público a possibilidade de construção de suas próprias narrativas. A oficina foi ministrada em dois períodos vespertinos, com a seguinte programação:
1º período (28 de setembro).
1. A questão do roteiro
2. A poética de Aristóteles: conceitos de épico, lírico e dramático.
3. A composição do texto dramático: ação e conflito. Situações dramáticas. Composição dos atos.
4. A adaptação cinematográfica de "Netto perde sua alma".


2º período (29 de setembro)

1. Gêneros dramáticos: tragédia e melodrama, comédia e farsa.
2. Construção de personagens: arquétipos.
3. A escrita do roteiro de "Netto e o domador de cavalos".
4. O roteiro para documentário “Brizola".

Sobre o ministrante:


Tabajara Ruas (1942) é escritor, roteirista e cineasta. Cursou arquitetura na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Entre 1971 e 1981 ficou exilado no Uruguai, no Chile, na Argentina, na Dinamarca, em São Tomé e Príncipe e em Portugal. Em 1999, co-redigiu com Beto Souza, roteirizou e produziu o longa-metragem “Neto perde sua alma”, baseado em seu livro homônimo.Entre 2002 e 2003 foi consultor especial da Rede Globo para a produção da minissérie “A casa das sete mulheres”. Em 2008, concluiu o seu segundo longa-metragem, “Netto e o domador de cavalos”.

Público presente: Atores, Diretores, Produtores. Escritores, Professores, Jornalistas, Psicanalistas. Estudantes de Cinema da Unisul e UFSC, Fotógrafos e Educadoras.
Durante a Oficina estudamos os principais Paradigmas do Cinema, na visão dos seguintes Roteiristas:
Syd Field, autor do “Manual do Roteiro”; Joseph Cambell, Antropólogo que estudou os Mitos entre várias culturas indígenas,autor do livro “O homem das mil faces” e Christopher Vogler , roteirista de Hollywood, que ficou famoso por ter escrito o "memorando The Writer's Journey: Mythic Structure For Writers" (A Jornada do Escritor: Estrutura Mítica para Roteiristas), como um guia interno para os roteiristas dos estúdios Walt Disney.
Aproveitei a oportunidade e escrevi o roteiro de um curta que espero produzir em breve.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Rede mundial de computadores - Internet - Coisas do Barão de Itararé

O capim. (recebi de um amigo internauta. Muito boa!)

No Curso de Medicina, o professor se dirige ao aluno e pergunta:
-Quantos rins nós temos?
-Quatro! - Responde o aluno.
-Quatro? - Replica o professor, arrogante, daqueles que sentem prazer em tripudiar sobre os erros dos alunos.
-Traga um feixe de capim, pois temos um asno na sala. - ordena o professor a seu auxiliar.
-E para mim um cafezinho! - Replicou o aluno ao auxiliar do mestre.

O professor ficou irado e expulsou o aluno da sala. O aluno era, entretanto, o humorista Aparício Torelly Aporelly (1895-1971), mais conhecido como o 'Barão de Itararé'.

Ao sair da sala, o aluno ainda teve a audácia de corrigir o furioso mestre:

-O senhor me perguntou quantos rins 'nós temos'.. 'Nós' temos quatro: dois meus e dois seus. 'Nós' é uma expressão usada para o plural.Tenha um bom apetite e delicie-se com o capim.
A vida exige muito mais compreensão do que conhecimento! Às vezes as pessoas, por terem um pouco a mais de conhecimento ou 'acreditarem'(ADOREI ESSA!) que o tem, se acham no direito de subestimar os outros... E haja capim!!!

COMO TRATAR AS PESSOAS GROSSAS ( boa ) - Recebi pela Internet.
Para todos os que têm de tratar com clientes irritantes, ou com pessoas que se acham superiores aos outros, aprenda com a funcionária da GOL. Destrua um ignorante sendo original, como ela foi.
Uma funcionária da GOL, no aeroporto de Congonhas, São Paulo, deveria ganhar um prêmio por ter sido esperta, divertida e ter atingido seu objetivo, quando teve que lidar com um passageiro que, provavelmente, merecia voar junto com a bagagem...
Um voo lotado da GOL foi cancelado. Uma única funcionária atendia e tentava resolver o problema de uma longa fila de passageiros. De repente, um passageiro irritado cortou toda a fila até o balcão, atirou o bilhete e disse: - Eu tenho que estar neste voo, e tem que ser na primeira classe!
A funcionária respondeu: - O senhor desculpe, terei todo o prazer em ajudar, mas tenho que atender estas pessoas primeiro, já que elas também estão aguardando pacientemente na fila. Quando chegar a sua vez, farei tudo para poder satisfazê-lo.

O passageiro ficou irredutível e disse, bastante alto para que todos na fila ouvissem: - Você faz alguma ideia de quem eu sou ?

Sem hesitar, a funcionária sorriu, pediu um instante e pegou no microfone anunciando:

- Posso ter um minuto da atenção dos senhores, por favor? (a voz ecoou por todo o terminal).

E continuou: - Nós temos aqui no balcão um passageiro que não sabe quem é, deve estar perdido... Se alguém é responsável pelo mesmo, ou é parente, ou então puder ajudá-lo a descobrir a sua identidade, favor comparecer aqui no balcão da GOL. Obrigada. Com as pessoas atrás dele gargalhando histericamente, o homem olhou furiosamente para a funcionária, rangeu os dentes e disse, gritando:

- Eu vou te foder!
Sem recuar, ela sorriu e disse: - Desculpe, meu senhor, mas mesmo para isso, o senhor vai ter que esperar na fila; tem muita gente querendo o mesmo...

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Teatro: Sinopse da mídia sobre a Peça “O Contador de Histórias e A Árvore dos Sapatos”

"Estréia nos dias 26 e 27/09, sábado às 20 horas e domingo às 19 horas, no Teatro da UBRO, escadarias da Rua Pedro Soares no centro de Florianópolis, a Peça “O Contador de Histórias e a Árvore dos Sapatos”.
Baseada no conto “A Árvore dos Sapatos”, do escritor moçambicano Mia Couto, a peça serve de roteiro para que um Contador de Histórias, interpretado pelo escritor Julião Goulart, anuncie no palco vários números artísticos: danças, monólogos, diálogos, dramaturgia e também contos da tradição da literatura universal como a mini-peça “O livro do Destino”, adaptação de um conto árabe.
A peça foi idealizada pelo escritor e contador de histórias
Julião Goulart, apresentador do programa “ A hora da História”, da Rádio Cultura AM 1110 Khz de Florianópolis e conta com o apoio do Grupo de Teatro da Oficina Literária Letras do Jardim.
Elenco: Amara Martino, Bia Moreira, Gabriela Müller, Fernando Azevedo, Leonardo Vitor, Márcia Cattoi, Milka Plaza e Náiade Scharkey.
Direção: Julião Goulart
Coordenação: Oficina Literária Letras no Jardim de Florianópolis.
Ingresso: R$ 10,00 e Meia R$ 5,00, que poderá ser adquirido na bilheteria do Teatro da UBRO, uma hora antes do início do espetáculo." Era uma vez...


quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Teatro - 2009 Ano Internacional da Astronomia

Ensaio fotográfico para divulgação de AS LUAS DE GALILEU GALILEI, que estreará em Outubro, dia 16, na Antiga Igrejinha da Trindade, ao lado do TEATRO DA UFSC.
ELENCO: Grupo de Pesquisa e Teatro Novo da UFSC







































Fotos: Dé Beirão e Carmen Fossari.
Parte do elenco que conta ainda com a participação de um CORO VOCAL entoando músicas renascentistas, regidas pela maestrina Miriam Moritz.
Os figurinos são similares aos que estão sendo confeccionados pelo figurinista Beirão.
Cenários de Márcio Tessmann.
Roteiro e Direção: Carmen Fossari.
Imperdível!
“Quem esquece a história, está condenado a revivê-la"

terça-feira, 15 de setembro de 2009

As surpresas da verdade de amar ao "próximo".

Gosto de escrever textos para provocar reflexões sobre as lições da sabedoria da natureza, especialmente a dos animais.
Um bom exemplo é o das aves migratórias que sabem a hora de ir embora, de sair de cena observando apenas os sinais do contexto onde estão.
Em alguns casos, podemos aprender com as aves.
Temos uma natureza interior, uma ecologia, com animais selvagens e primordiais.
Cada ser humano é uma versão do Noé Bíblico, que precisa construir uma Arca para salvar os seus animais interiores do dilúvio do inconsciente.
Nessa linguagem simbólica há o desafio de ter consciência da força da natureza instintiva que pulsa em nós, e que precisa ser descoberta pelo ser humano, entendida e aceita pela razão.
Salvar os nossos animais interiores do dilúvio do inconsciente passa pelo autoconhecimento. Entender o eu, o outro, o grupo e leitura da própria realidade.
Contudo, não temos unicamente uma zoologia interior.
Há também multidões de personagens e padrões de comportamentos e atitudes os arquétipos –­ teorias descritas pelo psicanalista C.G. Jung, com os seus múltiplos diálogos.
Todos nós, de certa forma, temos os nossos diálogos internos. Nunca estamos sós!
Podemos até afirmar que conversamos silenciosamente, perguntamos, sem ter todas as respostas. Dizem que Deus nos sonda, escuta e nos conhece na intimidade.
O grande poeta americano Walt Witmann, descreveu em versos, os conflitos e dilemas da alma humana:

“... sou imenso, sou contraditório, há multidões dentro de mim...”

Cabe uma pergunta:
Quem verdadeiramente se conhece? Sabe ler a realidade em que vive?
Sobre este tema, o filósofo grego Heráclito, sempre alertava aos seus discípulos com a seguinte afirmação:
- “Quem quiser investigar a verdade, deve estar preparado para surpresas...”
Na bíblia existem várias passagens para a reflexão sobre o assunto, como por exemplo, as dúvidas de Saulo quando, a caminho de Damasco, cai por terra tremendo e atônito, volta a sua face para o céu e pergunta:

- “Senhor, que queres que faça?” Esta mesma pergunta, foi formulada por Francisco de Assis, quando, numa espécie de “loucura”, ouvia vozes, mas não sabia responder.
Foi preciso o recolhimento desnudo para que ele, finalmente ouvisse a única e verdadeira voz interior:

- Francisco, restaure a minha Igreja!

Quem sabe agora, arrisquemos entender numa nova dimensão, as palavras de Jesus:
- Amai vossos inimigos. (Lc 6,35)
- Amai-vos uns aos outros... (Rm 12,10)
E finalmente, a frase mais esclarecedora:
- Amai o próximo como a si mesmo!
E, se de repente você descobrisse que o seu “próximo” está no seu interior, e que o seu maior “inimigo” é “você” mesmo? Sob a forma de pensamentos não saudáveis, isolamento, omissões e atitudes?
E, se percebesse mais profundamente que não se conhece na essência, que não cultiva amor próprio?
Que desconhece o “outro” contido em você (próximo), o grupo que está inserido a sociedade e no universo?
Que se encontra com baixa autoestima e não se valoriza?
Nessa fase, tenha cuidado com os espelhos!

Este “insight” sobre a verdade, como bem lembrou Heráclito, não seria uma grande surpresa pra você?
Perdoar é conhecer o amor, entender-se como ser de relação com animais racionais ou não. Eles existem e, por vezes, estão mais próximas que pensamos.
Agora, quem sabe? não seremos capazes de melhor compreender a sabedoria fantástica de Jesus Cristo?
Pois, amando os nossos “inimigos”, estaremos certamente amando a nós mesmos, um passo decisivo para compartilhar o amor, na grande fraternidade universal tantas vezes referida nas escrituras como o Reino de Deus que está no presente, no aqui e no agora do maravilhoso instante consciente.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Academia Desterrense de Letras perde seu Presidente Vilson Mendes














Perdemos todos nós que amamos a Arte & Cultura.
Nosso último encontro foi na Academia Catarinense de Letras, 23 de julho 2009.
Outro dia, Vilson Mendes, num encontro na mesma Academia, ao ouvir a música que fiz para homenagear Santa Catarina, que tive a honra de cantar, foi um dos primeiros a me cumprimentar. Adorou! Os versos e a música.
Pediu-me para fazer a letra de um hino: Hino das Academias de Letras de Santa Catarina. Perguntei: - Meu caro Vilson, em sua opinião, quais palavras “chaves” que o hino deve ter? Ao que respondeu: “Defender a língua e a literatura, a liberdade, o livre pensar, os patronos e acadêmicos, sem esquecer o verbo amar”.
Obrigado pelo seu saber, defesa da Língua e da Literatura. Você será sempre um Imortal das Academias de Letras de Santa Catarina.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Declaração de amor - Teatro

Blog (diário) serve para catarse também, pedido de perdão, fazer piadas de ocasião, rir da gente mesmo.
Cometi muitos erros de ortografia nas sessões de autógrafo que fiz, no momento do lançamento dos meus livros.
Já cortei “L”, pensando que era “T”, ainda bem que era uma amiga, que me conhecia.
Substituí o livro e, acreditem, cortei novamente o “L".
O nome dela ficou um desastre, com o “L” cortado como “T”.
Os orientais dizem que o nome é o “MANTRA” mais importante para quem o escuta.
Quando vejo uma fila grande me dá uma inquietação danada. Preocupo-me com quem está no final, esperando, mesmo que esteja com cara alegre.
A sabedoria popular diz que a pressa é inimiga da perfeição! Vero!
Um dos meus erros mais recentes aconteceu no intervalo do ensaio, num palco de teatro.
No exato momento que fui autografar um dos meus livros, presente para a minha diretora de teatro da peça “As Luas de Galileu”, de Carmen Fossari, escrevi uma coisa, mas pensei outra. O texto correto seria inspirado naquela mulher e, para aquele momento que, infelizmente deixei passar.
Sempre há tempo para reparos, e uso a internet para fazê-lo agora, tendo o universo cibernético como testemunha.
Vou revelar, sem reservas, exatamente aquilo que eu deveria ter escrito, mas que os formatos da sociedade das aparências, interpretações equivocadas, cuidados com a etiqueta (pequena ética) e outros impedimentos fizeram, na última hora, que eu escrevesse outro texto.
O texto deveria ser uma declaração de amor! Que faço agora.
“Para Carmen Fossari, Diretora e professora de Teatro da UFSC.”
Amo você, seu talento, sua disposição, sua humildade, sua força de promover a Arte e a Cultura.
Não sei se você é ciumenta, mas devo confessar que não amo só você.
Que tive outros amores, que tenho vários amores e que espero ter a sensibilidade de me apaixonar, cada vez mais, por professoras e professores, que são os grandes agentes de transformação da sociedade.
Que amo o saber, viver o momento mágico de descobrir novas formas de fazer, sair das rotinas que escravizam a mente humana.
Que amo desafios e que sei o valor de aprender com os erros".
(Texto maior não caberia na primeira página do livro.)



Onde está Belchior?

Cumpriu-se o velho ditado: “Quem está vivo sempre aparece”.
Jogada de marketing ou não, Belchior foi “encontrado pela reportagem da TV Globo” num lugar que me pareceu deslumbrante, uma casa de campo no interior de um lugar qualquer...
Lembrei-me de Manuel Bandeira e de seus versos sobre um lugar de fuga, que eu pensava não existir, até ver onde Belchior estava.


Vou-me Embora pra Pasárgada (Manuel Bandeira)

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
Lá sou amigo do rei
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
(Do livro "Bandeira a Vida Inteira", Editora
Alumbramento Rio de Janeiro, 1986, pág. 90)

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Prefácio para um livro

Um escritor, poeta, convidou-me para fazer o prefácio do seu novo livro.
Depois de ler atentamente os originais, buscando sentir a essência da inspiração do escritor, finalmente iniciei minha tarefa, já tendo por base dois pilares: poemas do cotidiano, que me lembrou Mário Quintana, e a percepção sensível do invisível aos olhos comuns, que só um poeta é capaz de ter das coisas que aparentemente não têm sentido para a sociedade de consumo que hoje vivemos.
Tudo fluía, até que o dilema que acomete os escritores aconteceu comigo. Faltava uma palavra “chave”para expressar a constante mudança, transitoriedade e brevidade de tudo.
Lembrei de Heráclito, um filósofo da antiga Grécia e a palavra instantaneamente surgiu.
Pensar na Grécia, berço da filosofia e de tantos saberes parece estimular a produção de dopamina e hormônios da memória. A palavra parecia ter caído do céu: DEVIR!
Era a palavra perdida que eu acabara de encontrar.
No dicionário devir pertence a duas classes gramaticais: Substantivo masculino, que na filosofia indica movimento pelo qual as coisas se transformam. E verbo intransitivo: Vir a ser, tornar-se, transformar-se.
E, voltando ao prefácio, um poeta é a interpretação viva da essência das coisas e, para isso, precisa constantemente ser aquilo que deveras sente.