segunda-feira, 24 de março de 2014

Era uma vez...


Mahatma Gandhi estava em  casa quando chegou uma mãe apressada, acompanhada do filho.
- Por favor grande mestre, diga ao meu filho para não comer açúcar. Ele sofre de diabetes e quando saio de perto dele, ele corre direto para o açucareiro. - Explicou a mãe aflita.

- Voltem aqui em uma semana. - Falou Gandhi, saindo do aposento .
Uma semana depois lá estava a dupla diante de Gandhi que, afagando a criança com um toque paternal disse:

- Menino,  pare de comer açúcar!
Meses depois a mãe reencontra Gandhi numa feira e diz, feliz, que o seu filho tinha parado de comer açúcar e estava muito bem de saúde. Agradeceu e fez uma pergunta que há tempo lhe intrigava a  resposta:

- Mestre, porque naquele dia que fomos até a sua casa o senhor  nos mandou retornar depois de uma semana ? Poderia dizer ao meu filho para ele parar de comer açúcar naquele dia mesmo.
- É que até aquele dia, eu comia açúcar... - Respondeu Gandhi.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Espelhos literários


Livros são espelhos, cinema e teatro também. Nos identificamos com personagens descritos nos livros ou nos roteiros.
Meu livro de releitura no momento é "O Homem Medíocre", um pequeno espelho oportuno.
"Há filósofos que meditam durante longas noites insones, sábios que sacrificam a vida num laboratório, patriotas que morrem pela liberdade de seus concidadãos, altivos que renunciam a qualquer privilégio que tenham por preço a dignidade, mães que sofrem a miséria defendendo a honra de seus filhos.


O homem medíocre ignora essas virtudes; limita-se a cumprir as leis por temor às penalidades que ameaçam quem as viola." (p.104)
Sobre o autor: Pensador argentino, nascido no final do século XIX
Um livro para nos inquietar...
                                          Um livro sempre oportuno para nos fazer refletir.
  

domingo, 9 de março de 2014

Pequeno resumo - Mais um livro de minhas pesquisas sobre Os Charruas.

Título: " El trágico fin de los indios Charrúas"
Relativo ao título. (Comunidade Indígena - História e registros da exterminação  executada no dia 11 de abril de 1831, até o retorno dos restos mortais do Cacique Vaimacá Perú, do Museu do Homem, em Paris, para o  Panteón Nacional De Los Héroes em Montevidéu - 2002)
Autora: Annie Houot, nasceu na França, Doutora em Literatura na Sorbonne, Antropóloga e Historiadora pela EN México. Atualmente vive em Montevidéu.

Alguns aspectos que o livro aborda e que chamaram a minha atenção durante a leitura.
A minuciosa investigação feita pela autora no livro é dividida em três partes:
1. "Un cacique Charrúa en Paris". Nova versão do reconhecido trabalho da autora
2."Ubicación de los domicilios de los indios charrúas en Francia", onde a autora relata quais foram os locais onde os 4 últimos charruas, que chegaram a Paris no dia 7 de maio de 1833, viveram no exílio, assim como os detalhes que se conhece a cerca de seus falecimentos.
Há um capítulo interessante sobre a história de Paris, que começa no ano 1000 A.C., quando os celtas, procedentes do Danúbio se estabeleceram na atual Bélgica e França. Não formavam uma tribo mas um mosaico de tribos. Os romanos souberam aproveitar as rivalidades entre elas para conquistar os territórios que depois chamaria de Galli. Estas tribos tinha em comum uma língua, deuses e druidas. Os romanos chamavam os celtas de "galli". A futura capital da França foi no princípio uma pequena cidade celta no local que hoje está a catedral de Notre Dame de Paris. O nome Paris se deve a tribo celta dos "Paristi" que se haviam instalados naquele lugar.
Os "Francs" nome que dá origem a França,  uma tribo germânica muito belicosa, que vence os romanos  em 486 D.C.
3. "SAARTJIE BAARTAMEN, LA VENUS HOTENTE". A terceira parte do livro conta a história de uma mulher negra, nascida na África do Sul em 1789, na época dominada pelos holandeses ela que foi levada para a Europa para ser exposta em casas de prostituição e depois em circos  e estudada como animal selvagem, pois sofria de  " Steatopigia - Hipertrofia dos Glúteos ", popularmente chamada de Bunda Grande.
Os restos mortais de Saartjie foram transladados para a sua terra natal na África em 9 de agosto de 2002 que é comemorado Dia da Mulher na África do Sul.
Sobre o assunto, recomendo o filme Vênus Negra que conta a história de Saartjie, no Trailer abaixo, na postagem seguinte.

Ainda há muito mistério a ser desvendado.

Uma história real - Preconceito e racismo - Vênus Negra (Vénus Noire 2010) - Trailer Legendado

domingo, 2 de março de 2014

As nossas diferenças nos enriquece

Dom Helder Câmara
 
“Partir é, antes e tudo, sair de si.
 
Romper a crosta de egoísmo que tende a
 
aprisionar-nos no próprio eu.

Partir é não rodar, permanentemente,
 
em torno de si, numa atitude de quem,
na prática, se constitui centro do Mundo
e da vida.

Partir é não rodar apenas em volta
dos problemas das instituições
a que pertence.
 

Por mais importantes que elas sejam,
maior é a humanidade
a quem nos cabe servir.

Partir, mais do que devorar estradas,
cruzar mares ou atingir velocidades supersônicas,
 
é abrir-se aos outros, descobri-los,
ir-lhes ao encontro.

Abrir-se às idéias,
inclusive contrárias às próprias,
demonstra fôlego de bom caminheiro.

Feliz de quem entende e vive este pensamento:
”Se discordas de mim, tu me enriqueces”.

Ter ao próprio lado quem só sabe dizer amém,
 
quem concorda sempre, de antemão e
incondicionalmente, não é ter um companheiro,
mas sim uma sombra de si mesmo.

Desde que a discordância não seja sistemática
e proposital, que seja fruto de visão diferente,
 
a partir de ângulos novos,
importa de fato em enriquecimento.

É possível caminhar sozinho.
 
Mas, o bom viajante sabe que
a grande caminhada é a vida
e esta supõe companheiros.
 

Companheiro, etimologicamente,
 
é quem come o mesmo pão.

O bom caminheiro preocupa-se
com os companheiros desencorajados,
sem ânimo, sem esperança…
Advinha o instante em que se acham
a um palmo do desespero.

Apanha-os onde se encontram.
 
Deixa que desabafem e, com inteligência,
com habilidade, sobretudo, com amor,
leva-os a recobrar o ânimo e
voltar a ter gosto na caminhada.

Marchar por marchar não é ainda
verdadeiramente caminhar.

Para as minorias Abraâmicas, partir,
 
caminhar significa mover-se e ajudar muitos outros
a moverem-se no sentido de tudo fazer
por um mundo mais justo e mais humano.”