sábado, 21 de fevereiro de 2015

Era uma vez... A roupa nova do Rei


A roupa do Rei
Conto tradicional do folclore Europeu.

Era uma vez um rei tão vaidoso de sua pessoa que só faltava pisar por cima do povo.

Certa vez procuraram-no uns homens que se diziam tecelões maravilhosos e que fariam uma roupa encantada, a mais bonita e rara deste mundo, tendo o "dom" mágico de só poder ser enxergada por quem fosse filho legítimo.

O rei achou muita graça na proposta e encomendou o traje, dando muito dinheiro para sua feitura. Os homens trabalhavam dia e noite num tear vazio, cosendo com linha invisível, um pano que ninguém via. O rei mandava sempre ministros visitarem a oficina e eles voltavam deslumbrados, elogiando a roupa e a perícia dos alfaiates.

Finalmente, depois de muito dinheiro gasto, o rei recebeu a tal roupa e marcou uma festa pública para ter o gosto de mostrá-la ao povo.

Os alfaiates compareceram ao palácio, vestindo o rei de camisas e ceroulas, e cobriram-no com as peças do tal traje encantado, ricamente bordado mas invisível aos filhos bastardos.

O povo esperou lá fora pela presença do rei e quando este apareceu deram muitas palmas. Os alfaiates desapareceram. O rei seguiu com o cortejo mas, atravessando uma das ruas pobres da cidade, um menino gritou:

- O rei está de camisa!

O povo reparou e viu que realmente o rei estava apenas de camisa e ceroulas. Rebentou uma vaia estrondosa e o rei chegou ao palácio morto de vergonha.

Corrigiu-se do seu orgulho e foi daí em diante um rei cordial e simples.

ASSIM ACONTECE MUITAS VEZES QUANDO NOSSA VAIDADE NOS CEGA. MAS, É POSSÍVEL CORRIGIR ISTO QUANDO UMA PESSOA SIMPLES NOS ACORDA DA ESTULTA LETARGIA.



quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

PARÁBOLA DA TÁBUA E DOS PREGOS

 

 
"Era uma vez um rapazinho que tinha um temperamento muito explosivo.
Um dia, o pai deu-lhe um saco cheio de pregos e uma tábua de madeira. Disse-lhe que martelasse um prego na tábua cada vez que perdesse a paciência com alguém.

No primeiro dia o rapaz pregou 37 pregos na tábua. Já nos dias seguintes, enquanto ia aprendendo a controlar a ira, o número de pregos martelados por dia foram diminuindo gradualmente.
Ele foi descobrindo que dava menos trabalho controlar a ira do que ter que ir todos os dias pregar vários pregos na tábua…

Finalmente chegou o dia em que não perdeu a paciência uma única vez.
Falou com o pai sobre o seu sucesso e sobre como se sentia melhor por não explodir com os outros.
O pai sugeriu-lhe que retirasse todos os pregos da tábua e que a trouxesse.
O rapaz trouxe então a tábua, já sem os pregos, e entregou-a ao pai.

Este disse-lhe:
– Estás de parabéns, filho! Mas repara nos buracos que os pregos deixaram na tábua.
 Ela nunca mais ela será como antes.
Quando falas enquanto estás com raiva, as tuas palavras deixam marcas como essas. Podes enfiar uma faca em alguém e depois retirá-la, mas não importa quantas vezes peças desculpas, a cicatriz ainda continuará lá.
Uma agressão verbal é tão violenta como uma agressão física.
 Amigos são joias raras, cada vez mais raras. Eles fazem-te sorrir e encorajam-te a alcançar o sucesso. Eles emprestam-te o ombro, compartilham os teus momentos de alegria, e têm sempre o coração aberto para ti."

(In "FONTES DE SABER" da presente edição da Revista Progredir)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Era uma vez...Em 1854

 
 
 
Em 1854, o presidente dos E.U.A., Franklin Pierce - a quem os índios chamavam o Grande Chefe Branco de Washington - apresentou uma proposta ao chefe índio Seattle com o objetivo de lhe comprar uma vasta extensão de terras e o compromisso de criar uma "reserva" destinada a preservar a segurança e a integridade cultural do povo suquamisch. O chefe Seattle respondeu num longo e notável documento de que se destacam as seguintes passagens:
Cada parcela desta terra é sagrada para o meu povo. Cada brilhante mata de pinheiros, cada grão de areia nas praias, cada gota de orvalho nos escuros bosques, cada outeiro e até o zumbido de cada insecto é sagrado para a memória e para o passado do meu povo. A seiva que circula nas veias das árvores leva consigo a memória dos Pele Vermelhas.
(...)  Somos parte da terra e do mesmo modo ela é parte de nós próprios. As flores perfumadas são nossas irmãs, o veado, o cavalo, a grande águia são nossos irmãos; as rochas escarpadas, os unidos prados, o calor do corpo do cavalo e do homem, todos pertencemos à mesma família. Por tudo isso, quando o Grande Chefe de Washington nos envia a mensagem de que quer comprar as nossas terras, está a pedir-nos demasiado. (...)
A água cristalina que corre nos rios e ribeiros não é somente água: representa também o sangue dos nossos antepassados. (...)
Os rios são nossos irmãos e saciam a nossa sede; são portadores das nossas canoas e alimentam os nossos filhos. (...)
Sabemos que o Homem Branco não compreende o nosso modo de vida. (...) A terra não é sua irmã, mas sim sua inimiga e, uma vez conquistada, ele segue o caminho, deixando atrás de si a sepultura de seus pais, sem se importar com isso! (...)
O Homem Branco trata a sua Mãe, a Terra, e o seu irmão, o Firmamento, como objetos que se compram, se exploram e se vendem como ovelhas ou contas coloridas. O seu apetite devorará a terra deixando atrás de si só o deserto. Não sei, mas a nossa maneira de viver é diferente da vossa. Só de ver as vossas cidades entristecem-se os olhos do Pele Vermelha. Mas talvez seja porque o Pele Vermelha é um selvagem e não compreende nada. (...)
Ensinem aos vossos filhos que a terra é nossa mãe e que tudo o que acontece à terra acontecerá aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo, cospem em si próprios. Isto sabemos: a terra  não pertence ao homem; o homem pertence à terra. (...)
Onde se encontra já o matagal? Destruído! Onde está a águia? Desapareceu!
Termina a Vida e começa a sobrevivência!  
(Este e outros discursos célebres de chefes índios podem ser lidos em A Alma do Índio, Padrões Culturais Editora)