sábado, 29 de outubro de 2011

Contador de Histórias



DIA NACIONAL DO LIVRO

No dia nacional do livro, 29 de outubro, olhei para a  minha pequena estante de livros  e dois  chamaram a minha atenção: um, de autoria de  Rubem Alves e outro de Friedrich Nietzsche.
Sem considerar que me encontrava bem ocupado na leitura de um livro sobre Roteiros, MANUAL DO ROTEIRO, de Syd Field, Mas no dia nacional do livro, resolvi folhear algumas páginas das obras citadas.
No livro do educador e contador de histórias Rubem Alves, OSTRA FELIZ NÃO FAZ PÉROLA,  o autor escreve:  Ostra feliz não faz pérolas. Isso vale para as ostras e vale para nós, seres humanos. As pessoas que se imaginam felizes simplesmente se dedicam a gozar a vida. E fazem bem. Mas as pessoas que sofrem, elas têm de produzir pérolas para poder viver. Assim é a vida dos artistas, dos educadores, dos profetas. Sofrimento que faz pérola não precisa ser sofrimento físico. Raramente é sofrimento físico. Na maioria das vezes são dores na  alma”.
O tema já ocuparia o restante do sábado para jogar conversa fora na academia e em rodas de amigos se eu não tivesse também lido o prólogo do livro ALÉM DO BEM E DO MAL, do famoso filósofo alemão Friedrich Nietzsche. E o que chamou a minha atenção foi  à frase reflexiva, a primeira frase do prólogo do livro: “Supondo que a verdade seja uma mulher.” Nietzsche propõe que se pense a verdade como se ela fosse uma mulher e os filósofos dogmáticos como homens incapazes de conquistá-la. Pensei na universalidade do tema diante das dificuldades do amor. Elas dizem “homem é tudo igual”  e nós homens  jamais entenderemos uma razão feminina. Os gêneros se completam.
Já no livro MANUAL DO ROTEIRO, do roteirista americano Syd Field que estou relendo inteiramente para escrever um roteiro que devo apresentar na UDESC, no curso de Edição de Vídeo, o autor expõe de forma simples os segredos de um bom roteiro de cinema. No livro o autor  faz  considerações conectivas entre livro (romance), teatro e cinema.
Algumas frases que garimpei na obra do cineasta e escritor:
“Num romance a ação acontece dentro do universo mental da ação dramática.
Numa peça de teatro, a ação, ou enredo. Acontece no palco, sob o arco do proscênio, e a platéia torna-se  a quarta parede. Nesse caso, a ação da peça ocorre na linguagem da ação dramática: que é falada em palavras.
O filme é um meio visual que dramatiza um enredo básico; lida com fotografias, imagens, fragmentos e pedaços de filme.
Se o roteiro é uma história contada em imagens, então o que todas as histórias têm em comum? Um início, meio e fim, ainda que nem sempre nessa ordem.
Aristóteles definiu as três unidades da ação dramática: tempo, espaço e ação. Syd Field se utiliza da divisão da hsitória que conta em 3 partes:  ATO I, Ato II e ATO III.
No ATO I o roteirista deve apresentar a história, os personagens e a premissa dramática.
ATO II ou Confrontação. Uma série de obstáculos que o protagonista deve vencer para alcançar ou não a necessidade dramática.
ATO III ou Resolução. Resolução não significa fim, mas solução.
Entre os atos existem os pontos de viradas (plot point) que pode ser  qualquer incidente, episódio ou evento que engancha na ação e reverte noutra direção - nesse caso o início do próximo ATO.”
Por enquanto fico por aqui, FELIZ DIA NACIONAL DO LIVRO. Só na vida não há roteiros...

domingo, 16 de outubro de 2011

Diferença entre Conto e crônica


Tema de uma discussão recente que tivemos num encontro literário.


CONTO – História completa e fechada como um ovo. 
É uma célula dramática, um só conflito, uma só ação. A narrativa passiva de ampliar-se não é conto.


Poucas são as personagens em decorrência das unidades de ação, tempo e lugar. Ainda em conseqüência das unidades que governam a estrutura do conto, as personagens tendem a ser estáticas, porque as surpreende no instante climático de sua existência. O contista as imobiliza no tempo, no espaço e na personalidade (apenas uma faceta de seu caráter).A crônica é um gênero híbrido que oscila entre a literatura e o jornalismo, resultado da visão pessoal, particular, subjetiva do cronista ante um fato qualquer, colhido no noticiário do jornal ou no cotidiano. É uma produção curta, apressada (geralmente o cronista escreve para o jornal alguns dias da semana, ou tem uma coluna diária), redigida numa linguagem descompromissada, coloquial, muito próxima do leitor. Quase sempre explora a humor; mas às vezes diz coisas sérias por meio de uma aparente conversa – fiada. Noutras, despretensiosamente faz poesia da coisa mais banal e insignificante.A crônica é o relato de um flash, de um breve momento do cotidiano de uma ou mais personagens. O que diferencia a crônica do conto é o tempo, a apresentação da personagem e o desfecho.No conto, as ações transcorrem num tempo maior: dias, meses, até anos, o que não se dá na crônica, que procura captar um lance curioso, um momento interessante, triste ou alegre. No conto, a personagem é analisada e/ou caracterizada, há maior densidade dramática e freqüentemente um conflito, resolvido em desfecho. Na crônica, geralmente não há desfecho, esse fica para o leitor imaginar e, depois, tirar suas conclusões. Uma das finalidades da crônica é justamente apresentar o fato, nu, seco e rápido, mas não concluí-lo. A possível tese fica a meio caminho, sugerida, insinuada, para que o leitor reflita e chegue a ela por seus próprios meios.
Fonte(s):
Webwritersbrasil

A crônica, na maioria dos casos, é um texto curto e narrado em primeira pessoa, ou seja, o próprio escritor está "dialogando" com o leitor. Isso faz com que a crônica apresente uma visão totalmente pessoal de um determinado assunto: a visão do cronista.

A crônica situa-se entre o Jornalismo e a Literatura, e o cronista pode ser considerado como o poeta dos acontecimentos do dia-a-dia.

O conto é a forma narrativa, em prosa, de menor extensão (no sentido estrito de tamanho), ainda que contenha os mesmos componentes do romance. Entre suas principais características, estão: a concisão, a precisão, a densidade, a unidade de efeito ou impressão total: o conto precisa causar um efeito singular no leitor; muita excitação e emotividade.

A Literatura Brasileira começou com uma crônica: A carta de Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal, comunicando o descobrimento de uma nova terra e registrando o circunstancial. A crônica moderna nasceu nos jornais. Pode-se dizer que seu precursor foi Paulo Barreto (1881-1921) conhecido pelo pseudônimo João do Rio, o primeiro a dar um tratamento literário às matérias jornalísticas que escrevia. 
A crônica é um registro circunstancial feito por um narrador-repórter, uma somatória de jornalismo e literatura. Por isso, a diferença entre conto e crônica é tão sutil. Na crônica, o autor dá um toque ficcional ao relato de um fato do noticiário ou de um simples acontecimento do dia-a-dia.

Fonte(s):

domingo, 2 de outubro de 2011

Quebra-cabeça


   Quebra - cabeça        ©Julião Goulart


Há momentos que me procuro
Mas não me encontro em mim
Meus pedaços ficam no escuro
Lugar que jaz afastado do jardim

Em misteriosos desencaixes vãos
Os desencontros de tantas partes
Em cada recorte há marcas de mãos
Que sonham sempre viver nas artes

Raramente inteiro na anatomia
Sem a brisa do vento espalhador
Num breve momento de calmaria

No quebra-cabeça de um montador
Que decide se  espalhar noutro dia
Para quem sabe montar o amor...