segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Poema do tempo que passa, para começar a semana

“A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira…
Quando se vê, já terminou o ano…
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê, já passaram-se 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado..
Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas.
Desta forma, eu digo:
Não deixe de fazer algo que gosta, devido à falta de tempo,pois a única falta que terá,será desse tempo que infelizmente não voltará mais.”
Mário Quintana

domingo, 24 de janeiro de 2010

Conversando com um sábio me questiono

A verdade é uma interpretação subjetiva. Cada ser humano tem a sua, e modulada pela cultura onde está inserido.
Lendo C. G. Jung percebo que a história humana está na simbologia e nas escavações arqueológicas e também nos entulhos da mente.
Será a fé manipulada?
O poder e o conhecimento sempre se serviram.
Em alguns momentos da história não se sabe quem serviu quem.
Napoleão, quando assumiu o poder da França, foi apoiado pelo conhecimento da Igreja Católica.
Quem usou quem?
Informações vindas dos confessionários eram valiosas... E vindas dos palácios também...
Na escrita, diríamos ( e vice versa...)
Informações privilegiadas passam poderes seculares.
O sentir “pecado” está na consciência humana ou fora dela?
Deus está em tudo, em todas as dimensões temporais ou não.
Nas tribos primitivas cabia ao curandeiro decidir, depois de ouvir no confessionário daquela época, os segredos sobre o comportamento humano tribal.
Mas, quem pode falar por Deus no século XXI?

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Haiti - Um pouco da história (visão do historiador Eduardo Galeano)

A história do Haiti é a história do racismo na civilização ocidental
A democracia haitiana nasceu há um instante. No seu breve tempo de vida, esta criatura faminta e doentia não recebeu senão bofetadas. Era uma recém-nascida, nos dias de festa de 1991, quando foi assassinada pela quartelada do general Raoul Cedras. Três anos mais tarde, ressuscitou.
Depois de haver posto e retirado tantos ditadores militares, os Estados Unidos retiraram e puseram o presidente Jean-Bertrand Aristide, que havia sido o primeiro governante eleito por voto popular em toda a história do Haiti e que tivera a louca ideia de querer um país menos injusto.
O voto e o veto
Para apagar as pegadas da participação estadunidense na ditadura sangrenta do general Cedras, os fuzileiros navais levaram 160 mil páginas dos arquivos secretos. Aristide regressou acorrentado. Deram-lhe permissão para recuperar o governo, mas proibiram-lhe o poder.
O seu sucessor, René Préval, obteve quase 90 por cento dos votos, mas mais poder do que Préval tem qualquer chefete de quarta categoria do Fundo Monetário ou do Banco Mundial, ainda que o povo haitiano não o tenha eleito nem sequer com um voto.Mais do que o voto, pode o veto.
Veto às reformas: cada vez que Préval, ou algum dos seus ministros, pede créditos internacionais para dar pão aos famintos, letras aos analfabetos ou terra aos camponeses, não recebe resposta, ou respondem ordenando-lhe:– Recite a lição.
E como o governo haitiano não acaba de aprender que é preciso desmantelar os poucos serviços públicos que restam, últimos pobres amparos para um dos povos mais desamparados do mundo, os professores dão o exame por perdido.
O álibi demográfico
Em fins do ano passado, quatro deputados alemães visitaram o Haiti. Mal chegaram, a miséria do povo feriu-lhes os olhos. Então o embaixador da Alemanha explicou-lhe, em Porto Príncipe, qual é o problema:– Este é um país superpovoado, disse ele. A mulher haitiana sempre quer e o homem haitiano sempre pode.E riu. Os deputados calaram-se. Nessa noite, um deles, Winfried Wolf, consultou os números. E comprovou que o Haiti é, com El Salvador, o país mais superpovoado das Américas, mas está tão superpovoado quanto a Alemanha: tem quase a mesma quantidade de habitantes por quilômetro quadrado.Durante os seus dias no Haiti, o deputado Wolf não só foi golpeado pela miséria como também foi deslumbrado pela capacidade de beleza dos pintores populares. E chegou à conclusão de que o Haiti está superpovoado... de artistas.Na realidade, o álibi demográfico é mais ou menos recente. Até há alguns anos, as potências ocidentais falavam mais claro.
A tradição racista
Os Estados Unidos invadiram o Haiti em 1915 e governaram o país até 1934. Retiraram-se quando conseguiram os seus dois objetivos: cobrar as dívidas do Citybank e abolir o artigo constitucional que proibia vender as plantations aos estrangeiros. Então Robert Lansing, secretário de Estado, justificou a longa e feroz ocupação militar explicando que a raça negra é incapaz de governar-se a si própria, que tem "uma tendência inerente à vida selvagem e uma incapacidade física de civilização". Um dos responsáveis pela invasão, William Philips, havia incubado tempos antes a ideia sagaz: "Este é um povo inferior, incapaz de conservar a civilização que haviam deixado os franceses".O Haiti fora a pérola da coroa, a colônia mais rica da França: uma grande plantação de açúcar, com mão-de-obra escrava. No Espírito das leis, Montesquieu havia explicado sem papas na língua: "O açúcar seria demasiado caro se os escravos não trabalhassem na sua produção. Os referidos escravos são negros desde os pés até à cabeça e têm o nariz tão achatado que é quase impossível deles ter pena. Torna-se impensável que Deus, que é um ser muito sábio, tenha posto uma alma, e sobretudo uma alma boa, num corpo inteiramente negro".Em contrapartida, Deus havia posto um açoite na mão do capataz. Os escravos não se distinguiam pela sua vontade de trabalhar. Os negros eram escravos por natureza e vagos também por natureza, e a natureza, cúmplice da ordem social, era obra de Deus: o escravo devia servir o amo e o amo devia castigar o escravo, que não mostrava o menor entusiasmo na hora de cumprir com o desígnio divino. Karl von Linneo, contemporâneo de Montesquieu, havia retratado o negro com precisão científica: "Vagabundo, preguiçoso, negligente, indolente e de costumes dissolutos". Mais generosamente, outro contemporâneo, David Hume, havia comprovado que o negro "pode desenvolver certas habilidades humanas, tal como o papagaio que fala algumas palavras".
A humilhação imperdoável
Em 1803 os negros do Haiti deram uma tremenda sova nas tropas de Napoleão Bonaparte e a Europa jamais perdoou esta humilhação infligida à raça branca. O Haiti foi o primeiro país livre das Américas. Os Estados Unidos haviam conquistado antes a sua independência, mas tinha meio milhão de escravos atrabalhar nas plantações de algodão e de tabaco. Jefferson, que era dono de escravos, dizia que todos os homens são iguais, mas também dizia que os negros foram, são e serão inferiores.A bandeira dos homens livres levantou-se sobre as ruínas.
A terra haitiana fora devastada pela monocultura do açúcar e arrasada pelas calamidades da guerra contra a França, e um terço da população havia caído no combate. Então começou o bloqueio.
A nação recém nascida foi condenada à solidão. Ninguém lhe comprava, ninguém lhe vendia, ninguém a reconhecia.
O delito da dignidade
Nem sequer Simón Bolívar, que tão valente soube ser, teve a coragem de firmar o reconhecimento diplomático do país negro. Bolívar havia podido reiniciar a sua luta pela independência americana, quando a Espanha já o havia derrotado, graças ao apoio do Haiti. O governo haitiano havia-lhe entregue sete naves e muitas armas e soldados, com a única condição de que Bolívar libertasse os escravos, uma ideia que não havia ocorrido ao Libertador.
Bolívar cumpriu com este compromisso, mas depois da sua vitória, quando já governava a Grande Colômbia, deu as costas ao país que o havia salvo.E quando convocou as nações americanas à reunião do Panamá, não convidou o Haiti mas convidou a Inglaterra.
Os Estados Unidos reconheceram o Haiti apenas sessenta anos depois do fim da guerra de independência, enquanto Etienne Serres, um gênio francês da anatomia, descobria em Paris que os negros são primitivos porque têm pouca distância entre o umbigo e o pênis.
Por essa altura, o Haiti já estava em mãos de ditaduras militares carniceiras, que destinavam os famélicos recursos do país ao pagamento da dívida francesa.
A Europa havia imposto ao Haiti a obrigação de pagar à França uma indenização gigantesca, a modo de perdão por haver cometido o delito da dignidade.A história do assédio contra o Haiti, que nos nossos dias tem dimensões de tragédia, é também uma história do racismo na civilização ocidental.
(Conheci o escritor Eduardo Galeano num encontro em Porto Alegre. Grande defensor da liberdade e da América Latina.)

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Os Reis Magos somos nós

Li na Wikipedia ( http://pt.wikipedia.org/wiki/6_de_janeiro )
“O Dia de Reis, segundo a tradição cristã, seria aquele em que Jesus Cristo recém-nascido recebera a visita de "uns magos" que, segundo o hagiológio, foram três Reis Magos, e que ocorrera no dia 6 de janeiro. A noite do dia 5 de janeiro e madrugada do dia 6 é conhecida como "Noite de Reis".”
Independente da data e da tradição geográfica de encerrar o ciclo do Natal, o simbolismo do renascimento, resignificando os aprendizados da vida e da morte, estarão sempre presentes em cada dia do ano, e em cada um de nós, na mensagem fraterna de paz e perdão ensinada por Jesus Cristo.


(Foto Os Reis Magos em Natal -RN)

domingo, 3 de janeiro de 2010

Futebol e filosofia

Algumas frases garimpadas na mídia esportiva internacional, proferidas por filósofos do cotidiano.

Romário: “Técnico bom é aquele que não atrapalha”
Diego Maradona: "Não estou contra os homossexuais. Me parece bom que existam, porque dessa maneira deixam as mulheres livres para nós que somos machos de verdade"
Alfredo Di Stéfano: "A bola é de couro, o couro vem da vaca, a vaca come pasto, assim há que jogar bola sobre o pasto"
David Beckham: "Definitivamente, quero que meu filho Brooklyn seja cristianizado. Só não sei, todavia, por qual religião"
Ronaldo: "Perdemos porque não ganhamos"
George Best: "Em 1969, deixei as mulheres e a bebida, mas foram os piores 20 minutos de minha vida"
George Best: "Há alguns anos, disse que me deixassem escolher entre marcar um golaço no Liverpool ou me encontrar com uma Miss Universo, e que seria uma difícil eleição. Afortunadamente, tive a oportunidade de fazer ambas as coisas"
Thierry Henry: "Às vezes, no futebol, é preciso marcar gols"
Johan Cruyff: "Meus atacantes só devem correr 15 metros, a não ser que sejam estúpidos ou estejam dormindo"
Jorge Valdano, ex-treinador do Real Madrid: "Um rival sem interesse em atacar? É como fazer amor com uma árvore"
Alan Hansen, ex-capitão do Liverpool: "Nunca disputei as bolas aéreas no Liverpool. Se sabe que cada vez que cabeceia a bola se perde 50% dos neurônios. Assim, mandava Mark Lawreson cabecear. Sempre convém delegar. É prerrogativa dos capitães"
John Toshack, ex-treinador do Real Madrid: "Nas segundas, sempre penso em trocar dez jogadores, às terças sete ou oito, às quintas quatro, às sextas dois. E no sábado penso que têm que jogar os mesmos "cabrones"
Paul Gascoigne: "Tive 14 cartões nessa temporada. Oito deles foram culpa minha, mas sete podem ser discutidos"

Outras pérolas do grande frasista Romário:

"Do jeito que bati o pênalti, até minha mãe pegava"

"Se o Pelé fez gol pelo exército e até de terno e gravata quando demoliram estádio, por que os meus gols em amistosos não valem?"
"Gosto da noite porque nela a gente só vê o que quer. De dia a gente vê tudo" - Sobre as noitadas 2006
“Quem tem filho grande é elefante”
"O Pelé calado é um poeta. Era bom colocar um sapato na boca dele" - Sobre o Rei do Futebol, que defendera sua aposentadoria 2005