domingo, 30 de agosto de 2009

Homens e mulheres de segunda milha de hoje

"Foi no ano de 63 A C. que Pompeu – famoso general romano, autor da frase “Navegar é preciso, viver não é preciso” - no final de sua campanha no Oriente, implantou as insígnias romanas sobre Jerusalém.
O povo judeu começou a experimentar o rigor do jugo que Roma lhe impusera.
Entre as medidas vexatórias introduzidas pelo dominador romano, contava-se aquela que conferia a um legendário de César em viagem pela Palestina, o direito de recrutar um judeu qualquer para carregar-lhe a bagagens até o limite de uma milha.
Pode-se imaginar a humilhação de um israelita ao ver-se compelido a palmilhar ao lado do invasor, carregando a bagagem de um gentio arrogante, um trecho de estrada poeirenta de sua terra natal, sob os raios dardejantes de um sol asiático.
Anos depois, perante um auditório de israelitas ciosos de suas prerrogativas como filhos de Abraão, herdeiros legítimos do solo de Canaã, capazes de submergir suas divisões tradicionais no ódio comum ao dominador, é que Jesus pronunciou as palavras do Sermão da Montanha cujo significado repercute até nossos dias:

“ E se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas” (Mateus 5: 41)

Que solução divinamente simples para o intrincado problema das relações entre duas raças visceralmente hostis!
Fazendo sempre mais que a sua obrigação legal de andar uma milha, o judeu conservaria sua dignidade andando uma milha a mais por vontade própria, resgatando assim, a sua capacidade de decidir.
A primeira milha está no plano do dever, a segunda no plano do amor.
O dever é majestoso, a segunda milha da decisão pessoal do amor é divina. O dever obriga; constrange o amor. A decisão de ir adiante, mais um pouco, e por vontade própria sublima o amor."  (Do livro 'Colunas do Caráter' de S. Júlio Schwantes)

Caminhar a segunda milha é alcançar um novo patamar de liberdade.
É importante refletir sobre essa passagem, buscando uma aplicação diária.
Será que estamos caminhando a segunda milha no contexto atual? Na família, no trabalho, no condomínio e na comunidade?

É para pensar...

 

domingo, 23 de agosto de 2009

Michael Joseph Jackson

O enterro de Michael Jackson, falecido em 25 de junho de 2009, poderia ter acontecido no cemitério Forest Lawn, onde ocorreu o velório, com caixão lacrado e diante da presença da família, cerimônia assistida por milhões de fãs em muitos lugares do mundo. Mas o sepultamento não aconteceu.
Logo após as formalidades, o enterro foi marcado para 29 de agosto e depois adiado para 3 de setembro, segundo representante oficial da família.
Antigamente não existia burocracia que atrasasse um enterro. Dependendo da causa da morte, o sepultamento era até antecipado. Não havia tempo para esperar, em condições normais de temperatura e pressão.
Lembrei-me de um Simpósio de Teologia que participei na PUC-RS, cujo tema era tanatologia, termo de origem grega para designar a morte.
Um dos palestrantes, médico e professor daquela universidade, contou uma experiência interessante.
Um de seus pacientes, em fase terminal, pediu para ir para casa. Disse “Quero morrer em casa”
Depois de alguns dias, o médico foi chamado na residência do paciente.
Quando o doutor chegou ao apartamento da família e atestou a morte de seu paciente, fez as formalidades legais, emitindo um atestado de óbito, orientando a família entrar em contato com uma funerária.
A história não termina aí.
Quando a funerária chegou, o médico, que estava prestando solidariedade à família, quis acompanhar a retirada do corpo.
Para a sua surpresa, dois enfermeiros chegaram numa ambulância, pegaram uma cadeira de rodas e colocaram o corpo “sentado” na cadeira.
O médico não entendendo, disse: “Ele está morto!” podem colocar numa maca e com um lençol por cima.
Ouviu como resposta de um dos enfermeiros: “Sabemos Senhor, mas se algum morador do prédio presenciar a cena da retirada de um morto, aqui do prédio, o imóvel fica com energia negativa e perde seu valor de mercado".
Nunca a morte foi tão escondida, maquiada e desfamiliarizada como no contexto atual.
Os cadáveres são maquiados, preparados com recursos cosméticos que transformam a face da morte em rostos saudáveis e corados.
Os cerimoniais de despedida deixaram de ser realizados em casa e passaram para as Capelas Mortuárias que podem, dependendo dos recursos da família, ter transmissão pela internet.

Ninguém sabe o dia, e nem a hora, mas é certo que chegarão.
A morte é a única verdade e certeza para os seres vivos.
E Michael, o quê diria se pudesse decidir?

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

H5N1 x ALHO x GENGIBRE x BAFO DE ONÇA


Diz a ciência que o vírus Influenza (H5N1) se hospedado por aves (já ocorreu o primeiro caso), pode infectar diversos mamíferos, entre os quais, nós, os humanos, habilidosos na destruição do meio ambiente. Tarefa que sabemos fazer muito bem! Até falamos inglês...
Gosto de viajar em coletivos e, em viagens longas, quando a bicicleta exige muita energia das pernas e a razão aconselha a sabedoria dos anos a ir de motor, ônibus, vou de busão! A natureza agradece.
Observo as pessoas, motoristas e cobradores.
Nos terminais, há cartazes aconselhando viajar com as janelas abertas, em pleno inverno. Cuidados contra a gripe A.
Numa manhã com neblina, lá estava eu, com uma carga de alho, gengibre e bafo de onça para compartilhar os espaços nos coletivos.
Fico a me perguntar quem planejou o sistema de transporte coletivo assim, tão cheio de afetos e toques corporais. Deve dar um lucro fantástico!
Na viagem nem consigo ler os versos escritos pelo Grupo dos Poetas Livres, afixados nas janelas dos coletivos. Sem poesia eu também não aguento meu próprio bafo de alho.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Ping-pong, falar e depois escutar.

Um casal de amigos estava no meio de uma verdadeira tempestade, com raios e curto-circuitos no relacionamento. Bota crise nisso! E eram recém casados! Briga por nada!
Macaco velho sabe que não deve meter a mão em cumbuca. E, em briga de homem e mulher, não se deve meter a colher. Mesmo assim, arrisquei me meter, em nome da amizade e do amor fraterno.
Primeiro ouvi um, e depois o outro. Ambos disseram que se amavam mas que não conseguiam mais dialogar. Que falavam ao mesmo tempo e que ninguém ouvia ninguém.
Foi quando me lembrei de um clássico problema que sempre me aparecia quando eu trabalhava na implantação de sistemas de transmissão de dados, há alguns anos.
Quando a gente interligava uma máquina (computador) com outra, por cabos de conexão física, ou por meio de transmissão sem fio (rádio), a maior dificuldade era fazer com que as máquinas “conversássem”, na linguagem delas, é claro (bits e bytes).
No silêncio, conferíamos a linguagem (protocolo de comunicação) e depois era programado que uma das máquinas enviasse “ping” para a outra.
Ping é um comando que usa o protocolo ICMP( "Packet Internet Grouper (Groper)", algo como "Procurador de Pacotes da Internet") para testar a conectividade entre equipamentos. Seu funcionamento consiste no envio de pacotes para o equipamento de destino e na "escuta" das respostas.
Se o equipamento de destino estiver ativo, uma "resposta" (o "pong", uma analogia ao famoso jogo de ping-pong) é devolvida ao computador solicitante.
É algo simples, bem bolado.
Pensei ser uma oportunidade de aprender com as máquinas e testar como uma forma simples talvez funcione com pessoas.
Penso que sim. Se mandarmos um “sorriso-ping” talvez volte um “sorriso-pong”.
Se mandarmos uma mensagem de “amor-ping”, quem sabe volta um “beijo- pong”, ou outra forma codificada de afeto, com seus trejeitos secretos que só o casal entende?
Só precisamos parar de falar e escutar.
Mas, e quando as conexões estão interrompidas, e um não quer escutar o outro?

Nas máquinas, a ciência da computação sabe as respostas, mas nas relações humanas? Como restabelecer o diálogo tão precioso?
A sabedoria consiste em saber esperar o tempo que a resposta leva para chegar. Não atropelar e nem ficar repetindo a palavra enviada. Saber esperar. Ouvir, depois de falar!
No meu livro “Aprendendo com os animais” solicitei ao ilustrador que colocasse uma figura que representa o conflito no diálogo.















Um homem e uma mulher discutem.


A – Diz isto.
B – Diz aquilo.
A – Responde isto.
B – Reforça aquilo.
A partir daí, se estabelece uma rotina que terminará num surto!
Em situação de surto, qualquer tentativa de corrigir, educar ou dar lição de moral terá sido em vão.

Uma analogia com alguns cães que deixam o osso saboroso do amor de lado e ficam gastando energia correndo atrás de algo inatingível...

A linguagem mais adequada é a linguagem dos sentimentos, dos gestos abertos e propositivos de entendimento, sem blá, blá, blá...

Em caso de surto, o mais prudente é acalmar os ânimos. E lembrar que o silêncio é o ponto de partida para recomeçar um novo e saudável diálogo.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Programa A Hora da História - Rádio Cultura

Ouça uma edição do programa "A Hora da História", apresentado pelo escritor Julião Goulart, na Rádio Cultura AM 1110 KHz de Florianópolis - SC
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terça-feira, 4 de agosto de 2009

IV Feira do Livro do Escritor Idoso em Florianópolis

Nos jardins do Palácio Cruz e Sousa, em Florianópolis, dias 4, 5 e 6 de agosto de 2009, acontece a IV Feira do Livro do Escritor Idoso, uma realização do Instituto Vida & Cidadania e Oficina Literária Letras no Jardim.
Donato Ramos e Milka Plaza Presidente do Instituto Vida & Cidadania e Coordenadora da Oficina Literária, respectivamente, abriram a IV Edição da Feira.



Escritores poetas e amigos ouviram música e poemas recitados na abertura.

Como o mundo dá voltas...
Naquele tempo, da escravidão, negro não tinha alma! Era essa a posição da Igreja Católica que até recebia negros como pagamento do dízimo.
Segundo Laurentino Gomes, escritor e autor do livro 1808, o Mosteiro de São Bento possuía 4 engenhos, tocados por 1200 escravos. Negócio promissor.
O conhecido "Palácio Rosado", em virtude da cor utilizada na parte externa da casa, o Palácio Cruz e Sousa foi construído no século XVIII, para ser a nova "Casa de Governo". Localizado em frente à Praça XV de Novembro, o Palácio foi uma das primeiras construções realizadas para o poder púbico.
Pensando no contexto naquela época, de discriminação contra um negro, ainda mais poeta, com cultura e falando palavras difíceis, quanto não sofreu Cruz e Sousa.
João da Cruz e Sousa, poeta do movimento simbolista, é hoje a maior autoridade e dono do palácio que recebe seu nome, com muita justiça. Ironias do destino.
Como diz o dito popular, são as voltas que o mundo dá!
Em 1984 o prédio é tombado como patrimônio histórico do Estado e iniciam-se novas obras de restauração, as quais lhe devolvem as características arquitetônicas originais da reforma feita pelo governador Hercílio Luz em 1898. Em 1986, reaberto, passa a sediar o Museu Histórico de Santa Catarina. Visitação: De terça a sexta-feira das 10h às 18h Sábado e Domingo das 10h às 16h