HORA COM PERFORMANCE

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

O MEDO DA SEMENTINHA - Rubem Alves


                         
Vou contar a história de uma sementinha.
Sua mãe era uma palmeira enorme, forte, de galhos compridos que entravam pelo céu.
Um dia, quando estava ferrada no sono, uma coisa estranha aconteceu.
Créec!
Um barulho, coisa que ela nunca ouvira antes.
De repente ela viu uma coisa que nunca havia visto antes.
Seu mundinho fechado e escuro, a barriga da sua mãe, se abriu. Começou a entrar uma luz.
Chegara a hora de nascer.
Ela ouviu uma voz suave e amiga: Sementinha! Sementinha! Não precisa ter medo. Sou eu, sua mãe...
Ela olhou para fora e viu aquela árvore enorme sorrindo para ela.
- Nada de ruim vai acontecer, sementinha.
O mundo aqui fora é mais gostoso que o mundo aí
dentro.
Olhe, vou apresentá- lá aos seus amigos.
Mamãe árvore balançou suas folhas, chamando, e veio o vento, e passaram as nuvens, e o sol brilhou...
Também a mãe de todos, a terra, que nos dá vida...
E a sementinha olhou para aquela terra maravilhosa, que se perdia de vista, nas montanhas do horizonte, cobertas de coisas verdes e coloridas, vivas e alegres, boas para comer, boas para cheirar, boa para ver...
A sementinha sorriu. Estava feliz.
A sementinha tinha uma amiga, alguém que gostava dela.
Assim ela viveu alegre e tranqüila, por vários dias.
Até que sua mãe lhe contou da grande viagem.
- Sementinha, dentro de pouco tempo o vento vai soprar para longe. Quando isto acontece, você vai para longe, numa longa viagem, flutuando.
A sementinha estremeceu, teve medo, muito medo.
A sementinha chorou.
Partir é sempre muito triste.
A velha árvore chorou também.
Ela gostava muito de sua filha. Mas continuou:
- É preciso partir, para continuar a viver.
Sementinha que não parte acaba morrendo...
A sementinha arregalou os olhos.
- Mamãe, por favor, me explique...
A mãe continuou...
- É preciso partir, para se transformar em mãe.
É preciso que a sementinha deixe o colo de sua mãe, para se transformar em árvore...
- Transformar em árvore?
Mas eu sou só uma sementinha, muito pequena.
As árvores têm de ser grandes...
- Dentro de uma sementinha está uma árvore adormecida.
O vento vai levá- lá para longe...
De repente ele vai parar.
Você cairá na terra.
Ali na terra, você vai deixar de ser semente e vai se transformar em árvore.
A sementinha teve medo.
Ele não entendeu aquilo que sua mãe lhe disse: você vai deixar de ser semente.
Será que ela iria sumir, desaparecer?
Isto é coisa de dar arrepios.
Ela se achava tão bonitinha, redondinha, lisa, ah!
Seria bom continuar a ser semente, sempre.
Mas sua mãe adivinhou o que se passava na sua cabecinha.
- Sementinha que continua sendo sementinha para sempre, termina seca, esturricada.
Por fim, morre.
O vento sobrou forte.
A sementinha foi arrancada do colo de sua mãe.
Teve de dizer adeus e foi voando, voando, cada vez mais Longe...
Passou por insetos, pássaros, folhas, alto, bem alto...
Até que o vento parou.
E ela foi descendo, até o chão.
O chão era úmido.
A terra era fofa e amiga.
E ela, mãe-terra, começou a cantar uma canção de ninar.
- Dorme, dorme, sementinha...
A terra quente a abraçou.
Caiu a chuva.
Lá dentro da terra, sem que ela percebesse como uma coisa nova começou a aparecer e a mexer.
Coisas novas, diferentes: um brotinho verde.
O brotinho foi crescendo, e quanto mais crescia, mais a sementinha diminuía.
A sementinha preta e redonda estava sumindo para que ela nascesse uma árvore verde e grande.
O brotinho se mexia dentro da barriga da mãe-terra, para sair...
Até que apareceu, bem pequeno, do lado de fora.
E foi então que a sementinha acordou, só que ela não era mais uma sementinha.
Era uma árvore nenê.
Todas diferentes, verdes com folhas bem pequenas.
Mas ela se parecia com sua mãe.
 E se lembrou do que ela lhe tinha dito:
- Dentro de cada sementinha está uma árvore adormecida.
E ela se sentiu muito feliz.
Ia crescendo, seria mãe também.
Olhou para baixo, viu a terra.
Olhou para cima, viu as nuvens, o sol.
Sentiu que o vento brincava com suas folhas, e deu uma gostosa risada...
A sementinha
Era uma vez uma sementinha.
Veio o vento e derrubou a sementinha na terra e cobriu ela.
A sementinha criou folhas pequenas.
A sementinha se reproduziu, cresceu e se transformou numa grande árvore.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016


    PARA ONDE VAI O AMOR QUE SE PERDE?
    Um ano antes de sua morte, Franz Kafka viveu uma experiência singular.
    Passeando pelo parque de Steglitz, em Berlim, encontr...ou uma menina chorando porque havia perdido sua boneca.
    Kafka ofereceu ajuda para encontrar a boneca e combinou um encontro com a menina no dia seguinte no mesmo lugar.
    Não tendo encontrado a boneca, ele escreveu uma carta como se fosse a boneca e leu para a garotinha quando se encontraram. A carta dizia : “Por favor, não chore por mim, parti numa viagem para ver o mundo. ”.
    Durante três semanas, Kafka entregou pontualmente à menina outras cartas , que narravam as peripécias da boneca em todos os cantos do mundo : Londres, Paris, Madagascar…
    Tudo para que a menina esquecesse a grande tristeza!
    Esta história foi contada para alguns jornais e inspirou um livro de Jordi Sierra i Fabra ( Kafka e a Boneca Viajante ) onde o escritor imagina como como teriam sido as conversas e o conteúdo das cartas de Kafka.
    No fim, Kafka presenteou a menina com uma outra boneca.
    Ela era obviamente diferente da boneca original.
    Uma carta anexa explicava: “minhas viagens me transformaram…”.
    Anos depois, a garota encontrou uma carta enfiada numa abertura escondida da querida boneca substituta.
    O bilhete dizia: “Tudo que você ama, você eventualmente perderá, mas, no fim, o amor retornará em uma forma diferente”.

    ~ May Benatar, no artigo “Kafka and the Doll: The Pervasiveness of Loss” (publicado no Huffington Post)


domingo, 31 de julho de 2016

sábado, 28 de maio de 2016

sábado, 14 de maio de 2016

Somos Bem Santa Catarina

sábado, 26 de março de 2016

Compaixão, emoção e a natureza humana sob a visão de Da...

"Navegar é preciso, viver não é preciso"

(Foto Praia de Jurerê - Florianópolis - Santa Catarina)
"Navegar é preciso, viver não é preciso" *,  frase atribuída a Pompeu, general romano, que animava seus marinheiros quando se negavam a navegar durante a guerra.
A frase em latim soava assim: "Navigare necesse; vivere non  est necesse".
Do livro "Vida de Pompeu", do escritor romano Plutarco (106-48 AC).

A navegação é uma ciência exata, em comparação com a vida, que sabemos onde começa mas jamais onde termina! 
Se o navegador é prisioneiro dos instrumentos, ou seja, só enxerga seu destino a partir destes, o poeta é livre.
O navegador faz uso de instrumentos precisos para se localizar e dar rumo ao seu curso. Já a arte de viver, em todos os sentidos para homens e mulheres, traz a possibilidade metafórica de um deslizamento incessante sobre a cadeia significante das escolhas e que também dependem dos companheiros de viagem.
* Esta frase não é de Fernando Pessoa (1888-1935). Ele a copiou do poeta italiano Francesco Petrarca, que viveu de (1304 a 1374), que por sua vez copiou do General romano Pompeu.


sábado, 5 de março de 2016

O Novo Inconsciente

O livro O Novo Inconsciente, do Professor MSc. Marco Callegaro, será  pauta do programa A Hora da História, pela Rádio Cultura AM 1110 kHz, de Florianópolis. 
Estou nas primeiras páginas, e percebo uma linguagem acessível, com abordagens simples e didáticas, que despertam interesse em qualquer leitor. O tema central é o ser humano e a busca do autoconhecimento, na perspectiva da neurociência. Tão logo eu termine a leitura das 312 páginas, agendaremos uma entrevista na Rádio.
O autor, cujo livro foi agraciado com o Prêmio Jabuti, já  foi convidado e o convite aceito.


quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

A felicidade verdadeira


terça-feira, 15 de dezembro de 2015

SÁBIO CONSELHO


domingo, 29 de novembro de 2015

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Campanha pela Vida


Durante a Oficina de Contadores de histórias, Oratória  e Teatro, que ocorreu no Estúdio de TV da Rádio Cultura AM 1110 kHz de Florianópolis, os participantes encenaram um pequeno roteiro que escrevi, adaptado de textos de Albert Einstein, metáfora da Lei da Ação e Reação,  da Física.
O título do vídeo foi inspirado dos escritos no para-choque de um caminhão que circulava na SC 401 em Florianópolis que dizia assim:


video

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

CONTAR HISTÓRIA EXERCITA A ORATÓRIA - OFICINA DIA 21/11/2015


"Se, na verdade, o sonho que nos anima é democrático e solidário, não é falando aos outros, de cima para baixo, sobretudo, como se fôssemos os portadores da verdade a ser transmitida aos demais, que aprendemos a escutar, mas é escutando que aprendemos a falar com eles (Freire, 1998, p.127)."
Escrevi um roteiro para ser interpretado como atividade final, pelos participantes da Oficina * de Contadores de História, com dicas de Dicção e Oratória, que acontecerá na Rádio Cultura de Florianópolis, dia 21/11/2015, das 14h00 às 17h00 - Informações na recepção do CAP 48 32246476, Praça São Sebastião,88 Centro de Florianópolis.
Além de dicas importantes e exercícios de teatro para desinibir e dar adeus à timidez.
* Oficina é uma metodologia de trabalho que prevê a formação coletiva. Ela prevê momentos de interação e troca de saberes a partir da uma horizontalidade na construção do saber inacabado. Sua dinâmica toma como base o pensamento de Paulo Freire no que diz respeito à dialética/dialogicidade na relação educador e educando.
Assim, "as oficinas pedagógicas possibilitam um processo educativo composto de sensibilização, compreensão, reflexão, análise, ação, avaliação. Esse trabalho concebe o homem como ser capaz de assumir-se como sujeito de sua história e da História, como agente de transformação de si e do mundo e como fonte de criação, liberdade e construção dos projetos pessoais e sociais, numa dada sociedade, por uma prática crítica, criativa e participativa" ( Graciani, 1997, p.310).
Referências:
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa. 7. ed., Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1998.
GRACIANI, Maria Stela S. Pedagogia social de rua . São Paulo : Cortez, 1997.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

O Mito da Caverna e o preço da verdadeira Luz



No livro "A República", o filósofo grego Platão nos convida a imaginar uma caverna onde existem humanos que nasceram e cresceram dentro dessa mesma caverna.
Eles nunca saíram, porque se encontram presos no seu interior. Os habitantes da caverna estão de costas voltadas para a sua entrada. Fora da caverna, existe um muro alto que separa o mundo exterior da caverna.
Os homens existentes no mundo exterior mantêm uma fogueira acesa, e os ruídos que fazem podem ser ouvidos dentro da caverna. De igual forma, as suas sombras são refletidas na parede no fundo da caverna, e os seres humanos acorrentados, vêm as sombras e pensam que elas são a realidade.
Em seguida, Platão pede que imaginemos que um dos seres humanos acorrentados consegue fugir  da caverna, subir o alto muro e passar para o outro lado, descobrindo que as sombras que antes via, vinham de homens como ele.
Além disso, descobriu também a natureza que existia do outro lado do muro. Platão discursa então sobre o que esse homem fará com essa nova realidade e o que poderá acontecer se ele resolver voltar para a caverna, contando aos outros que a vida que estão vivendo é na realidade um engano. Poderá acontecer que os outros homens o ignorem completamente, ou no pior dos casos, que o matem, por considerarem que ele é um louco ou mentiroso.
Através desta alegoria, Platão nos remete para a situação que muitos seres humanos vivem, num mundo de ilusão, e presos por crenças errôneas, preconceitos, ideias falsas, e por isso vivem em um mundo com poucas possibilidades, assim como os homens na caverna.
Platão usou essa narrativa para explicar como o ser humano pode obter libertação da escuridão com a ajuda da luz da verdade, falando também da teoria do conhecimento, do conceito de linguagem e educação como alicerces de um Estado Ideal. Contudo, é importante perceber que indivíduos que procuram espalhar a luz e a verdade - como o homem que regressara à caverna - são muitas vezes mortos. Esse foi o caso de Sócrates, que foi condenado à morte, depois de ter sido acusado de corromper a mente dos jovens.


segunda-feira, 2 de novembro de 2015

A Arte de Aprender com as Dificuldades

Era uma vez...

Uma fábula indiana conta que há milhares de anos vivia em um templo abandonado uma cobra venenosa. Seu nome era Naga. Embora tivesse em geral um comportamento adequado, a cobra despertava terror nos habitantes da aldeia próxima porque - quando incomodada - atacava as pessoas.
Certo dia apareceu no local um sábio desconhecido. Sentou-se junto ao templo e chamou Naga para uma conversa. Disse-lhe que a vida inteira é uma escola espiritual e aprendemos o tempo todo, mesmo quando não temos consciência disso. “O aprendizado é muito mais rápido - e mais difícil - quando fazemos um esforço consciente por iniciativa própria”, acrescentou.
A consciência de Naga se expandiu. O animal viu a luz da sabedoria, e disse que iria trilhar o caminho do esforço consciente. O instrutor mencionou então duas condições básicas para esse tipo de aprendizado.
“O primeiro passo é o autocontrole”, disse ele. “O processo sagrado começa à medida que o aprendiz deixa de obedecer aos instintos animais.” E acrescentou, antes de prosseguir viagem: “Ao mesmo tempo, há outra condição. É preciso ser fraterno e pacífico em relação a todos os seres.”
Impressionada pela força das palavras do mestre, a cobra Naga deixou de lado as preocupações mundanas. Praticou meditação, aproximou-se da sua alma imortal e experimentou a paz do universo infinito. Ela também tomou uma decisão: “De agora em diante, vou controlar os meus instintos e não morderei mais ninguém.”
A lei da evolução estabelece que todo conhecimento sagrado deve ser testado na prática, e o caso de Naga foi exemplar. Seu novo comportamento chamou atenção das crianças da aldeia. Por que motivo a cobra ficava o dia todo em jejum, recitando mantras e meditando sob o calor do sol? Quando chegaram à conclusão de que o animal não atacava, começaram os risos, o desprezo e as agressões com pauladas e pedradas. Naga emagreceu. Adoeceu. Sua pele começou a cair. Mas perseverava.
Um ano depois, o animal está sem forças e à beira da morte quando o mestre desconhecido reaparece e senta-se para conversar. A cobra conta ao sábio o que aconteceu e fala da sua lealdade ao caminho espiritual. Surpreso, o mestre explica que tamanha dor não era necessária:
“Eu disse para você não atacar. Não disse que não ameaçasse morder. Não disse que não preparasse o bote. Não deixe de impor respeito. Não faça mal a ninguém, mas - quando necessário - defenda-se sem violência.”
E Naga sobreviveu e encontrou o equilíbrio.
Qual foi o erro da cobra? Ela idealizou o caminho da sabedoria de maneira ingênua e ignorou o fato de que conflitos e contradições fazem parte da vida.
A cada momento temos de tomar decisões. E antes de cada decisão há uma certa luta entre diferentes tendências em nosso interior. As pessoas vivem conflitos psicológicos dentro de si, e é natural que haja discordâncias nas relações humanas e sociais. Contraste é vida, e vida é movimento. A uniformidade imobilista não é saudável. Quando as pessoas têm medo das discordâncias naturais, passam a reprimir as suas diferenças de opinião na esperança de preservar a paz. Então a sinceridade é substituída pela cortesia. Gradualmente, a confiança mútua desaparece, abrindo espaço para a má vontade, os sentimentos hipócritas e a deslealdade.
Por isso a sinceridade é sempre melhor que a harmonia forçada. Naturalmente é agradável estar rodeado de pessoas que concordam conosco em todos os aspectos. Mas se fosse possível viver desse modo o tempo todo, nossa evolução correria grave risco de ser interrompida. Assim como as pedras dos rios ficam redondas após longos anos de atrito, também os seres humanos necessitam de suas dificuldades e contradições para aperfeiçoar-se.
Devemos evitar as desarmonias, quando possível, mas quando elas são inevitáveis o melhor a fazer é aprender com elas. Para o pensador grego Plutarco (46 E.C.- 120 E.C.), os inimigos são comparáveis às dificuldades naturais que a vida coloca diante de nós. Um velejador experiente não se desespera com o vento contrário, mas sabe usá-lo para avançar no rumo certo. Do mesmo modo devemos aproveitar as inimizades e outros desafios para aumentar nosso autoconhecimento.
“O fogo queima quem o toca, mas também fornece luz e calor e serve a uma infinidade de usos para aqueles que sabem utilizá-lo”, explica Plutarco. A situação é idêntica com os adversários ou invejosos: “O que é mais prejudicial na inimizade pode tornar-se o mais proveitoso”, diz ele. “É que teu inimigo, continuamente atento, espia tuas ações na expectativa da menor falha, e fica à espreita em torno da tua vida.”
Na tarefa de identificar nossos erros, os inimigos são mais úteis que os amigos. Os adversários aumentam o perigo e, com isso, não nos deixam adormecer na rotina. Para Plutarco, necessitamos amigos sinceros e inimigos ardentes: “uns nos afastam do mal por suas advertências, os outros, por sua censura.” Porém, os amigos geralmente evitam falar com franqueza. O amor pode ser cego em relação a aquilo que ele ama. Mas o rancor consegue revelar as manias e os fracassos de qualquer um.[1]
Quando o invejoso mente em suas críticas, podemos lembrar que, seja como for, nós ainda estamos longe da perfeição. É verdade que ele vê erros em nós que não existem: mas talvez haja erros em nós que ele não vê. Devemos aproveitar a oportunidade de uma crítica contra nós para exercer vigilância e aumentar nossa força interior. A confiança no bem e a autoconfiança nos darão tranquilidade para observar os erros do ponto de vista do nosso potencial divino. E, sobretudo, para valorizar nossos acertos.
Segundo Plutarco, a melhor maneira de defender-nos dos inimigos é aumentar nossas virtudes. O taoísmo e a filosofia esotérica ensinam a mesma coisa. O escritor Carlos Castaneda (1925-1998) reforça esse ponto ao explicar que “o guerreiro deve ser impecável”.
De que modo o aprendiz pode seguir o exemplo do navegador que usa o vento contrário para chegar ao seu destino, e tirar proveito das injustiças que sofre, para alcançar a sabedoria?
Castaneda aprendeu a técnica do pequeno tirano com seu mestre Don Juan. O método funciona melhor quando há alguém que não só está situado em uma posição de poder ou de superioridade em relação a nós, mas tem, também, a séria intenção de causar-nos profundo mal-estar.
É claro que nenhum tirano externo tem importância real em si mesmo. O único verdadeiro inimigo é nossa própria ignorância diante da vida. Os adversários mais desagradáveis do mundo exterior são principalmente projeções e materializações daquelas lições que ainda não aprendemos e, por isso, os inimigos são sempre pouco importantes em si mesmos. No sistema de ensino de Castaneda, há três tipos básicos de tiranos:
1) Tirano Insignificante.
Tem o poder de matar suas vítimas quando quiser. Hoje é difícil de encontrar. Era relativamente frequente durante a época colonial, quando os sábios nativos da América Central criaram essa técnica.
2) Pequeno Tirano Insignificante.
Persegue e inflige danos sem chegar a causar a morte das suas vítimas.
3) Pequeno Tirano Muito Insignificante.
Ocasiona incômodos e uma exasperação sem fim.[2]
A função do pequeno tirano é testar a força e a coerência do aprendiz. A vida é como uma grande respiração, e a cada expansão corresponde uma retração igual e contrária. Na mesma medida em que o guerreiro expande no plano subjetivo a sua visão de mundo e se une ao infinito, ele tem de fazer com que, no plano objetivo, as suas ações práticas sejam cada vez mais compactas, mais controladas e mais intensas, guiadas pela prática da renúncia pessoal. Esse paradoxo é inevitável. Sem abrir mão do mundo pessoal, o guerreiro não pode nascer para o mundo do espírito imortal.
Alguns tiranos insignificantes e muito insignificantes usam de brutalidade e violência. Outros atormentam com insistência, criando preocupação, tristeza ou fúria. Em todos os casos, eles são usados pelo guerreiro da sabedoria para identificar e eliminar sua própria vaidade, seu orgulho e sua preocupação consigo mesmo. O aprendiz deve adquirir um controle estratégico da sua própria conduta com o objetivo de eliminar o desperdício de energia vital e de obter um acesso cada vez maior à energia do universo infinito. Os jogos manipuladores do pequeno tirano insignificante só causam sofrimento enquanto há ignorância, medo e falta de atenção no guerreiro.
A estratégia do aprendizado pode ser resumida em seis pontos:
1. Controle.
Enquanto o pequeno tirano atormenta o guerreiro, esse aprende a desmontar os seus esquemas de justificação da preguiça, vê destruída a sua ingenuidade infantil, e desperta para níveis superiores de alerta e atenção. Ele aprende a controlar os impulsos inferiores. Se não fizer isso, será derrotado.
2. Disciplina.
Como qualquer ser humano, o guerreiro sofre. Mas ele sofre sem sentimento de autopiedade. Ele levanta informações objetivas sobre a situação em que está, identifica os perigos reais e define possíveis alternativas, sem perder tempo ou energia com emoções desnecessárias.
3. Paciência.
O guerreiro não combate prematuramente. Ele aguarda com serenidade e antecipa com prazer a sua futura libertação. “O guerreiro sabe que espera, e sabe o que espera”, explica Victor Sánchez.
4. Sentido de Oportunidade.
No momento certo, o guerreiro aplica toda a energia acumulada em relação aos três pontos anteriores. Sánchez afirma: “É como abrir as comportas de uma represa.”
5. Vontade.
Não é a vontade comum, mas um elemento imponderável, reservado para uma situação extrema. Esse é o único ponto da estratégia que pertence ao desconhecido. Não é apenas um resultado da acumulação dos itens anteriores.
6. O Tirano Insignificante.
É o elemento externo que, ameaçando o guerreiro, dinamiza e acelera o seu processo de crescimento interior. [3]
O pequeno tirano na obra de Castaneda corresponde ao Guardião do Umbral da literatura teosófica moderna. Ele personifica o carma negativo ou ignorância acumulada do discípulo, ou guerreiro.
É provável que não haja ninguém situado em uma posição de poder que esteja pensando em atormentar ou em destruir o bem-estar do estudante médio de filosofia esotérica. Raramente algum aspirante à sabedoria tem o privilégio espiritual de viver esse desafio.
Mesmo assim, podemos usar em nossas vidas a técnica de Castaneda. Basta adaptar a estratégia acima substituindo o pequeno tirano pelo conjunto de obstáculos que nos rodeiam e dificultam a obtenção da nossa meta, a sabedoria divina. Se não há um tirano, existe uma situação limitadora, uma pequena tirania exercida pela nossa própria ignorância e que limita nosso processo de aprendizagem.
A estratégia permanece válida. Os três primeiros pontos - controle, disciplina e paciência - são estimulados pelo sexto elemento, o tirano, ou a “situação limitadora”. O quarto ponto - a escolha do momento de ação - serve para preparar o salto transformador e o instante criativo que fará toda a diferença. O quinto ponto, a vontade, significa que, tendo aumentado sua eficiência e sendo impecável nessa situação concreta, o guerreiro reúne uma energia ilimitada, a ser usada no momento certo.
Por isso, cada pessoa de má vontade ou que boicota nossos esforços tem algo precioso a nos ensinar. Se formos aprendizes conscientes da arte de viver, seremos beneficiados pelas suas ações agressivas. O pequeno tirano é quase sempre um pobre desorientado. Ele não só ignora que sua má vontade contra nós na verdade nos beneficia, mas sequer suspeita o quanto é gravemente prejudicial, para ele próprio, querer prejudicar alguém.
Há três recomendações de suprema importância para o aprendiz da sabedoria. A primeira é não aceitar o papel de pequeno tirano nem perder tempo ou energia com pensamentos e ações destrutivos em relação a outrem. A segunda é não cair na posição de vítima paralisada ou inconsciente, e jamais alimentar autopiedade. A terceira é saber atuar em todas as situações da vida como um colaborador da sabedoria universal. 
( Autoria: Carlos Cardoso Aveline)

NOTAS:
[1] “Como Tirar Proveito de Seus Inimigos”, de Plutarco, Ed. Martins Fontes, SP, 1998, 121 pp., ver pp. 5, 6, 7 e 13.
[2] “Os Ensinamentos de Don Carlos, aplicações práticas dos trabalhos de Carlos Castaneda”, Victor Sánchez, Ed. Nova Era, RJ, 1997, 268 pp., ver p. 120. Veja também o capítulo dois de “O Fogo Interior”, de Carlos Castaneda, Ed. Record, RJ, 280 pp.


[3] “Os Ensinamentos de Don Carlos”, obra citada, pp. 121-123, e “O Fogo Interior”, obra citada, especialmente pp. 27 a 30; sobre a vontade, p. 29.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Dia dos Avós - Roteiro musical

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Era uma vez...


Quando Gandhi estudava Direito na Universidade de Londres tinha um professor chamado Peters, que não gostava dele, mas Gandhi não baixava a cabeça.
Um dia o prof. estava comendo no refeitório e sentaram-se juntos.
O professor disse:
- Sr. Gandhi, você sabe que um porco e um pássaro não comem juntos?
Ok, professor... Já estou voando.... e foi para outra mesa.
O professor aborrecido resolve vingar-se no exame seguinte, mas ele responde, brilhantemente, todas as perguntas.
Então resolve fazer a seguinte pergunta:
- Senhor Gandhi, indo o senhor por uma rua e encontrando uma bolsa, abre-a e encontra a Sabedoria e um pacote com muito dinheiro.
Com qual deles ficava?
Gandhi respondeu....
- Claro que com o dinheiro, professor!
- Ah! Pois eu no seu lugar Gandhi, ficaria com a sabedoria.
- Tem razão professor, cada um ficaria com o que não tem!
O professor furioso escreveu na prova "IDIOTA" e lhe entregou.
Gandhi recebeu a prova, leu e voltou:
E disse...
- Professor o Senhor assinou a prova, mas não deu a nota!
Moral da historia.
Semeie a Paz, Amor, compreensão. Mas trate com firmeza quem te trata com desprezo. Ser gentil não é ser capacho, nem saco de pancadas...


sábado, 3 de outubro de 2015

Era uma vez...Sabedoria numa história curta - Como liquidar um inimigo.


A vingança era um dever sagrado na tribo. E esta precisava ser bem maior que a ofensa. Um índio, extremamente furioso, comunicou a um velho cacique sua disposição de matar um rival que o havia ofendido gravemente. O idoso escutou-o com atenção, concordou com ele, mas fez um pedido: antes de realizar seu objetivo, deveria encher o cachimbo da paz, fumá-lo calmamente. No dia seguinte, o índio, menos irado, comunicou que não assassinaria o rival, mas daria a ele uma surra memorável. O velho cacique elogiou sua decisão, mas pediu que enchesse novamente o cachimbo e o fumasse mais uma vez... No dia seguinte voltariam a conversar.
O sono é sempre um bom conselheiro e, no dia seguinte, o índio informou ao cacique que não bateria no desafeto, mas lançaria no seu rosto sua má ação e o faria passar vergonha diante de todos. Novamente o cachimbo foi acionado e - após uma serena meditação - o índio comunicou sua decisão final: iria até o agressor e lhe daria um apertado abraço. Fazendo isso, liquidou um inimigo e conseguiu um amigo.


sábado, 19 de setembro de 2015

As Rãs em Busca de Um Rei - Esopo


Uma comunidade de rãs vivia numa bela lagoa. 
Era um lugar perfeito, um verdadeiro paraíso. 
Lá tinha tudo que necessitavam para a sobrevivência de todas e de seus descendentes.
Seria uma harmonia perfeita se soubessem aproveitar as dádivas daquele lugar maravilhoso.
Mas um dia, durante uma assembleia, algumas rãs se queixaram que andavam muito amoladas porque viviam sem lei, e que tudo estava monótono e sem movimento na comunidade. Alguém disse que a comunidade precisava de um rei. A assembleia decidiu que precisavam de um rei. Foram até Zeus e pediram que arranjasse um rei para as rãs.
Zeus percebeu a ingenuidade das rãs e jogou um sapo feito de um toco de árvore, no lago. No começo as rãs ficaram apavoradas com o barulho da água quando caiu o toco e mergulharam bem para o fundo.
Um pouco depois, vendo que o sapo não se mexia, subiram para a superfície e escalaram o tronco. Alguns sapos mais ousados até subiram na cabeça do rei, que não esboçou nenhuma reação.
Aquele rei não prestava, pensaram, e lá se foram pedir outro rei a Zeus.
Mas Zeus já tinha perdido a paciência e lhes mandou para reinar na lagoa, uma cegonha faminta, que passou a viver nas margens.
Sempre que uma rã aparecia para botar a cabeça pra fora d’água, a cegonha dava uma bicada precisa, e lá se ia uma rã.
Em pouco tempo, as reclamações terminaram, pois as rãs agora estavam muito ocupadas com a sobrevivência, não tinham mais sossego.
A partir daquele dia, a lagoa passou a ser muito movimentada e as rãs não tiveram mais tempo para reclamações. Valorizaram cada momento...

terça-feira, 25 de agosto de 2015

UMA LIÇÃO DE VIDA



Uma senhora idosa, elegante, bem vestida e penteada, estava de mudança para uma casa de repouso pois o marido com quem vivera 70 anos, havia morrido e ela ficara só…

Depois de esperar pacientemente por duas horas na sala de visitas, ela ainda deu um lindo sorriso quando uma atendente veio dizer que seu quarto estava pronto.

A caminho de sua nova morada, a atendente ia descrevendo o minúsculo quartinho, inclusive as cortinas de chintz florido que enfeitavam a janela.

- Ah, eu adoro essas cortinas – disse ela com o entusiasmo de uma garotinha que acabou de ganhar um filhote de cachorrinho.

- Mas a senhora ainda nem viu seu quarto…

- Nem preciso ver – respondeu ela. – Felicidade é algo que você decide por princípio. E eu já decidi que vou adorar! É uma decisão que tomo todo dia quando acordo. Sabe, eu tenho duas escolhas: Posso passar o dia inteiro na cama contando as dificuldades que tenho em certas partes do meu corpo que não funcionam bem… ou posso levantar da cama agradecendo pelas outras partes que ainda me obedecem. Cada dia é um presente. E enquanto meus olhos abrirem, vou focaliza-los no novo dia e também nas boas lembranças que eu guardei para esta época da vida. A velhice é como uma conta bancária: Você só retira daquilo que você guardou. Portanto, lhe aconselho depositar um monte de alegria e felicidade na sua Conta de Lembranças. E como você vê, eu ainda continuo depositando. Agora, se me permite, gostaria de lhe dar uma receita:

1- Jogue fora todos os números não essenciais para sua sobrevivência.

2- Continue aprendendo. Aprenda mais sobre computador, artesanato, jardinagem, qualquer coisa. Não deixe seu cérebro desocupado.

3- Curta coisas simples.

4- Ria sempre, muito e alto. Ria até perder o fôlego.

5- Lágrimas acontecem. Aguente, sofra e siga em frente. A única pessoa que acompanha você a vida toda é VOCÊ mesmo. Esteja VIVO, enquanto você viver.

6- Esteja sempre rodeado daquilo que você gosta: pode ser família, animais , lembranças, música, plantas, um hobby, o que for. Seu lar é o seu refúgio.

7- Aproveite sua saúde. Se for boa, preserve-a. Se está instável, melhore-a. Se está abaixo desse nível, peça ajuda.

8- Diga a quem você ama, que você realmente o ama, em todas as oportunidades.

E LEMBRE-SE SEMPRE QUE:

A vida não é medida pelo número de vezes que você respirou, mas pelos momentos em que você perdeu o fôlego …

de tanto rir …

de surpresa …

de êxtase …

de felicidade!

Simples assim!!!

(Autor desconhecido)

terça-feira, 5 de maio de 2015

RETRATO DE UNA MADRE

domingo, 26 de abril de 2015

RÁDIO CULTURA AM 1110 KHZ - TOLERÂNCIA - PARA UMA CULTURA DO DIÁLOGO



  
TOLERÂNCIA: POR UMA CULTURA DO DIÁLOGO
Podemos considerar a Tolerância como uma das maiores virtudes da humanidade, pois se fundamenta no reconhecimento dos direitos universais da pessoa humana.  Neste caminho podemos nos encontrar, exercitar o diálogo, acolher as diferenças sendo eternos aprendizes uns dos outros. É um caminho aberto pelo qual as pessoas e povos podem caminhar juntos, reconhecer-se como membros de uma só família, capazes de harmonia na diferença, substituindo uma cultura de guerra por uma cultura de diálogo e de paz. Será isto possível?
Para conversar sobre este assunto, no dia 27 de abril, segunda-feira, às 13h00, o programa A HORA DA HISTÓRIA, pela Rádio Cultura AM 1110 KHz, de Florianópolis, contará com a participação do líder da Comunidade Islâmica de Florianópolis, Sheik Amim Alkaram e do Professor Mestre Celso Loraschi,  da Faculdade Católica de Santa Catarina - FCSC.