sábado, 16 de abril de 2011

Poema Tu e Eu

Tu e eu, ao perdermos um ao outro,
ambos perdemos.
Eu, porque tu eras o que
eu mais amava,
tu, porque eu era quem te amava mais.
Mas, entre nós dois,
tu perdes mais do que eu.
Porque eu poderei amar
a outras
como amei a ti.
Mas a ti nunca ninguém
jamais amará
como eu te amei.


Ernesto Cardenal, 1971
(Tradução de Paulo Sant'ana)


Já recitei muitos versos do poeta e monge nicaragüense, em bares, encontros literários, reuniões de poetas e até nas caminhadas silenciosas enquanto exercito o corpo aproveito para dar um “treino” na memória.
Um dia estudando teatro de vanguarda, na UFSC, com o Grupo Pesquisa Teatro Novo, coordenado pela minha querida Diretora Carmen Fossari, assistimos a um vídeo onde trabalhadores rurais dramatizavam com bonecos gigantes uma forma de protesto contra a exclusão social. No vídeo, em p & b, lá estava Ernesto Cardenal. Como diz na música de Milton Nascimento, “... o artista tem que estar onde o povo está.”
Ernesto Cardenal nasceu em Granada, Nicarágua, em 1925. Em 1954 participou na rebelião contra a ditadura de Somoza. Foi monge trapense, ordenou-se sacerdote e fundou a comunidade de Solentiname, em uma ilha do lago da Nicarágua. Vinculado à frente sandinista desde 1978, foi ministro de Cultura de duas legislaturas. Sua obra poética compreende, entre outros títulos, Salmos, Oração por Marilyn Monroe e outros poemas.
Há muitas versões de traduções de Cardenal para o nosso idioma.
Gosto da tradução de Paulo Sant'ana, jornalista e comentarista de futebol que conheci por acaso, numa roda de discussão sobre futebol, num intervalo de aula no bar da PUC-RS, 1975. Na época ele estudava Ciências Jurídicas e Sociais e eu Engenharia Eletrônica.
Jornalista autografando seu livro (foto ZH)
Mas. Voltando ao poeta da Nicarágua, em 2005, Cardenal foi candidato ao Prémio Nobel de Literatura e, entre outras distinções, recebeu o Prémio Rubén Darío, o mais importante das letras nicaraguenses (em 1965), a Ordem cubana "Haydeé Santamaría" (1990) e o Prêmio da Paz dos livreiros alemães (1980).
Nós leitores, poetas e admiradores refletimos sempre que encontramos seus escritos e Paulo Sant'ana, é o seu maior intérprete no idioma de Camões.


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