segunda-feira, 28 de maio de 2012

CIÚME

Meu poema favorito, que recito de duas maneiras: frio (na leitura) para quem ouve construir as suas emoções, e quente, onde eu vivo as emoções do momento do poeta. É uma questão de gosto e subjetividades. Gosto de respeitar as duas opiniões. Só não recito MORNO, PORQUE VOMITO...

Guilherme de Almeida foi um dos maiores expoentes da literatura brasileira, sendo considerado um precursor da escola modernista. Faleceu em 1969

CIÚME

“Minha melhor lembrança é aquele instante no qual

Pela primeira vez, me entrou pela retina

Tua silhueta, provocante e fina

Como um punhal

Depois, passaste a ser unicamente aquela

Que a gente se habitua a achar apenas bela

E que é quase banal.

E agora que te tenho em minhas mãos e sei

Que os teus nervos se enfeixam todos em meus dedos

E os teus sentidos são cinco brinquedos

Com que brinquei

Agora que não mais me és inédita; agora

Que eu compreendo que, tal como te vira outrora

Nunca mais te verei

Agora que de ti, por muito que me dês

Já não podes dar a impressão que me deste

A primeira impressão, que me fizeste

Louco talvez

Tenho ciúme de quem não te conhece ainda

E cedo ou tarde te verá, pálida e linda

Pela primeira vez.”

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