Pular para o conteúdo principal

Era uma vez...Sabedoria numa história curta - Como liquidar um inimigo.


A vingança era um dever sagrado na tribo. E esta precisava ser bem maior que a ofensa. Um índio, extremamente furioso, comunicou a um velho cacique sua disposição de matar um rival que o havia ofendido gravemente. O idoso escutou-o com atenção, concordou com ele, mas fez um pedido: antes de realizar seu objetivo, deveria encher o cachimbo da paz, fumá-lo calmamente. No dia seguinte, o índio, menos irado, comunicou que não assassinaria o rival, mas daria a ele uma surra memorável. O velho cacique elogiou sua decisão, mas pediu que enchesse novamente o cachimbo e o fumasse mais uma vez... No dia seguinte voltariam a conversar.
O sono é sempre um bom conselheiro e, no dia seguinte, o índio informou ao cacique que não bateria no desafeto, mas lançaria no seu rosto sua má ação e o faria passar vergonha diante de todos. Novamente o cachimbo foi acionado e - após uma serena meditação - o índio comunicou sua decisão final: iria até o agressor e lhe daria um apertado abraço. Fazendo isso, liquidou um inimigo e conseguiu um amigo.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

FELIZ 2020 - NA ARTE DE VIVER

Era uma vez... A Arte de Aprender com as Dificuldades Uma fábula indiana conta que há milhares de anos vivia em um templo abandonado uma cobra venenosa. Seu nome era Naga. Embora tivesse em geral um comportamento adequado, a cobra despertava terror nos habitantes da aldeia próxima porque - quando incomodada - atacava as pessoas. Certo dia apareceu no local um sábio desconhecido. Sentou-se junto ao templo e chamou Naga para uma conversa. Disse-lhe que a vida inteira é uma escola espiritual e aprendemos o tempo todo, mesmo quando não temos consciência disso. “O aprendizado é muito mais rápido - e mais difícil - quando fazemos um esforço consciente por iniciativa própria”, acrescentou. A consciência de Naga se expandiu. O animal viu a luz da sabedoria, e disse que iria trilhar o caminho do esforço consciente. O instrutor mencionou então duas condições básicas para esse tipo de aprendizado. “O primeiro passo é o autocontrole”, disse ele. “O processo sagrado começa à medida que...

A árvore dos sapatos *

 A árvore dos sapatos   (Do livro Contador de História, Julião Goulart, Editora UFSC 2009, p.22)  História de Mia Couto que transformei em roteiro para  teatro  " O contador de histórias e a árvore dos sapatos" ,  peça que foi encenada em três temporadas, 2009,2010 e 2011, nos teatros da UBRO, UFSC, UDESC e TAC, recontada abaixo: "Muito longe daqui, no Sul da África, não muito tempo atrás, vivia uma tribo que não usava sapatos. Pra quê sapatos? Se a areia era macia, a grama também. Mas às vezes as pessoas tinham que ir à cidade. Para resolver um assunto, um negócio de cartório, hospital, ou receber dinheiro ou até mesmo ir a uma festa. Aí eles precisavam de sapatos, e era um tal de pedir emprestado, que nunca dava certo. Foi aí que o velho mais velho da vila que, como tantas vezes acontece, era também o mais sábio   resolveu o problema. Ele abriu uma tenda de aluguel de sapatos bem na entrada da vila. Instalou-se à sombra de uma gran...

Piada – O passarinho, a vaca e o gavião *

Num daqueles dias gélidos de inverno, um passarinho estava tiritando de frio e já não podia voar, pois suas asas estavam endurecidas pela geada. Uma vaca que estava próxima, vendo a agonia do pobre passarinho, defecou sobre a pequena ave. Em pouco tempo, e graças ao calor da bosta da amiga vaca, o passarinho recuperou-se e pôs a cabeça para fora para cantar e agradecer. Não longe dali, um gavião que estava à procura de comida, vendo o passarinho cantar, deu um voo rasante, capturando e comendo o desatento passarinho. Moral da história: 1 – Nem sempre aquele que bota você na merda é seu inimigo. 2 – Nem sempre aquele que tira você da merda é seu amigo. 3 – Quando você estiver na merda, fique quieto! * Extraído do livro "Aprendendo com os animais" p.48, EST Edições - Porto Alegre - 3a. Edição, Escritor Julião Goulart