segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Era uma vez...Em 1854

 
 
 
Em 1854, o presidente dos E.U.A., Franklin Pierce - a quem os índios chamavam o Grande Chefe Branco de Washington - apresentou uma proposta ao chefe índio Seattle com o objetivo de lhe comprar uma vasta extensão de terras e o compromisso de criar uma "reserva" destinada a preservar a segurança e a integridade cultural do povo suquamisch. O chefe Seattle respondeu num longo e notável documento de que se destacam as seguintes passagens:
Cada parcela desta terra é sagrada para o meu povo. Cada brilhante mata de pinheiros, cada grão de areia nas praias, cada gota de orvalho nos escuros bosques, cada outeiro e até o zumbido de cada insecto é sagrado para a memória e para o passado do meu povo. A seiva que circula nas veias das árvores leva consigo a memória dos Pele Vermelhas.
(...)  Somos parte da terra e do mesmo modo ela é parte de nós próprios. As flores perfumadas são nossas irmãs, o veado, o cavalo, a grande águia são nossos irmãos; as rochas escarpadas, os unidos prados, o calor do corpo do cavalo e do homem, todos pertencemos à mesma família. Por tudo isso, quando o Grande Chefe de Washington nos envia a mensagem de que quer comprar as nossas terras, está a pedir-nos demasiado. (...)
A água cristalina que corre nos rios e ribeiros não é somente água: representa também o sangue dos nossos antepassados. (...)
Os rios são nossos irmãos e saciam a nossa sede; são portadores das nossas canoas e alimentam os nossos filhos. (...)
Sabemos que o Homem Branco não compreende o nosso modo de vida. (...) A terra não é sua irmã, mas sim sua inimiga e, uma vez conquistada, ele segue o caminho, deixando atrás de si a sepultura de seus pais, sem se importar com isso! (...)
O Homem Branco trata a sua Mãe, a Terra, e o seu irmão, o Firmamento, como objetos que se compram, se exploram e se vendem como ovelhas ou contas coloridas. O seu apetite devorará a terra deixando atrás de si só o deserto. Não sei, mas a nossa maneira de viver é diferente da vossa. Só de ver as vossas cidades entristecem-se os olhos do Pele Vermelha. Mas talvez seja porque o Pele Vermelha é um selvagem e não compreende nada. (...)
Ensinem aos vossos filhos que a terra é nossa mãe e que tudo o que acontece à terra acontecerá aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo, cospem em si próprios. Isto sabemos: a terra  não pertence ao homem; o homem pertence à terra. (...)
Onde se encontra já o matagal? Destruído! Onde está a águia? Desapareceu!
Termina a Vida e começa a sobrevivência!  
(Este e outros discursos célebres de chefes índios podem ser lidos em A Alma do Índio, Padrões Culturais Editora)

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