Pular para o conteúdo principal

O rouxinol e os sapos


Era uma vez...Uma colônia de sapos vivia no fundo de um poço, do qual nenhum de seus membros jamais conseguira sair.
     Eles levavam uma vida monótona, coachando, comendo pequenos insetos que lá caiam, dormindo e se reproduzindo.
     Um dia, um rouxinol que sobrevoava a região avistou lá do alto o poço dos sapos e, atraído pela curiosidade, resolveu descer até lá. Ao avistarem aquela estranha criatura que pairava sobre suas cabeças, os sapos entraram em pânico e se esconderam em meio ao lodo.
     O rouxinol, apesar de também estar surpreso, mostrou-se mais amistoso, afinal, devido à grande profundidade do poço, compreendeu que os pobres sapos jamais poderiam ter experimentado algum contato com o mundo exterior. Assim, passou a contar-lhes as maravilhas existentes fora daquele poço escuro e sujo. As palavras do rouxinol provocavam as mais diversas reações nos confusos sapos. Alguns se mostravam interessados e emergiam da lama para ouvi-lo melhor. Outros se afundavam ainda mais no lodo para nada ouvirem.
     Após algum tempo, a colônia estava completamente dividida em vários grupos. Havia aqueles que acreditavam no que o pássaro lhes dizia e sonhavam em um dia ver todas aquelas maravilhas. Havia também os que gostariam de acreditar nas palavras do rouxinol, mas achavam tudo aquilo impossível. Por fim, e em maior número, havia aqueles que não apenas duvidavam das histórias do intruso, como também as achavam perigosas demais para a estabilidade da colônia.
     Este último grupo, então, descontente com a má influência do rouxinol, decidiu silenciá-lo. Em uma rápida ação, capturaram e mataram o pobre pássaro, em meio a protestos e aplausos.
Em pouco tempo a colônia dos sapos voltou ao que era antes, ou seja, o mesmo lugar monótono de sempre, mas seus habitantes jamais foram os mesmos depois da visita daquele ser tão diferente e enigmático."
Autor Desconhecido


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

FELIZ 2020 - NA ARTE DE VIVER

Era uma vez... A Arte de Aprender com as Dificuldades Uma fábula indiana conta que há milhares de anos vivia em um templo abandonado uma cobra venenosa. Seu nome era Naga. Embora tivesse em geral um comportamento adequado, a cobra despertava terror nos habitantes da aldeia próxima porque - quando incomodada - atacava as pessoas. Certo dia apareceu no local um sábio desconhecido. Sentou-se junto ao templo e chamou Naga para uma conversa. Disse-lhe que a vida inteira é uma escola espiritual e aprendemos o tempo todo, mesmo quando não temos consciência disso. “O aprendizado é muito mais rápido - e mais difícil - quando fazemos um esforço consciente por iniciativa própria”, acrescentou. A consciência de Naga se expandiu. O animal viu a luz da sabedoria, e disse que iria trilhar o caminho do esforço consciente. O instrutor mencionou então duas condições básicas para esse tipo de aprendizado. “O primeiro passo é o autocontrole”, disse ele. “O processo sagrado começa à medida que...

A árvore dos sapatos *

 A árvore dos sapatos   (Do livro Contador de História, Julião Goulart, Editora UFSC 2009, p.22)  História de Mia Couto que transformei em roteiro para  teatro  " O contador de histórias e a árvore dos sapatos" ,  peça que foi encenada em três temporadas, 2009,2010 e 2011, nos teatros da UBRO, UFSC, UDESC e TAC, recontada abaixo: "Muito longe daqui, no Sul da África, não muito tempo atrás, vivia uma tribo que não usava sapatos. Pra quê sapatos? Se a areia era macia, a grama também. Mas às vezes as pessoas tinham que ir à cidade. Para resolver um assunto, um negócio de cartório, hospital, ou receber dinheiro ou até mesmo ir a uma festa. Aí eles precisavam de sapatos, e era um tal de pedir emprestado, que nunca dava certo. Foi aí que o velho mais velho da vila que, como tantas vezes acontece, era também o mais sábio   resolveu o problema. Ele abriu uma tenda de aluguel de sapatos bem na entrada da vila. Instalou-se à sombra de uma gran...

Os quatro inimigos

- Um homem de conhecimento - disse Don Juan - é aquele que seguiu honestamente as dificuldades da aprendizagem; um homem que sem se precipitar ou hesitar, foi tão longe quanto pôde para desvendar os segredos da sabedoria. - O que é preciso para se tornar um homem de conhecimento? - O homem tem que desafiar e vencer seus quatro inimigos naturais. Um homem pode chamar-se um homem de conhecimento somente se for capaz de vencer seus quatro inimigos. - Mas há algum requisito especial que o homem tenha de atender antes de lutar contra esses inimigos? - Não. Qualquer pessoa pode tornar-se um homem de conhecimento; muitos poucos o conseguem realmente, mas isto é natural. Os inimigos que um indivíduo encontra no caminho do saber para tornar-se um homem de conhecimento são realmente formidáveis; a maioria dos homens sucumbe a eles... Quando eu estava me preparando para partir, tornei a lhe perguntar acerca dos inimigos do homem de conhecimento. Argumentei que ia passar algum tempo sem voltar, e ...