quarta-feira, 18 de julho de 2012

ERA UMA VEZ... O MAIS IMPORTANTE


Era uma vez um jovem que recebeu do rei a tarefa de levar uma mensagem e alguns diamantes a um outro rei de uma terra distante. Recebeu também o melhor cavalo do reino para levá-lo na jornada.

  Cuida do mais importante cumprirás a missão! Disse o soberano ao se despedir.

  Assim, o jovem preparou o seu alforje, escondeu a mensagem na bainha da calça e colocou as pedras numa bolsa de couro amarrada á cintura, sob as vestes. Pela manhã, bem cedo, sumiu no horizonte. Então pensava sequer em falhar. Queria que todo o reino soubesse que era um nobre e valente rapaz, pronto para desposar a princesa que  respondia ás suas esperanças. Aliás, esse era seu sonho e parecia que a princesa correspondia ás suas esperanças.


  Para cumprir rapidamente sua tarefa, por vezes deixava a estrada e pegava atalhos que sacrificavam sua montaria.   Assim, exigia o máximo do animal.

  Quando parava em uma estalagem, deixava o cavalo ao relento, não o aliviava da cela nem da carga, tão pouco se preocupava em dar-lhe de beber ou providenciar alguma ração.

  Assim, meu jovem, acabarás perdendo o animal, disse alguém.
  Não me importo, respondeu ele. Tenho dinheiro. Se este morrer, compro outro.
  Nenhuma falta fará!
  Com o passar dos dias e sob tamanho esforço, o pobre animal não suportando mais os maus tratos, caiu morto na estrada O jovem simplesmente o amaldiçoou e seguiu a pé.
  Acontece que nessa parte do país havia poucas fazendas e eram muito distantes umas das outras.
  Passadas  algumas horas, ele se deu conta da falta que lhe fazia o animal.
  Estava exausto e sedento. Já havia deixado pelo caminho toda a tralha, com exceção das pedras, pois lembrava da recomendação do rei. Cuida do mais importante!.
  Seu passo se tornou curto e lento. As paradas mais freqüentes e longas.
  Como sabia que poderia cair a qualquer momento e temendo ser assaltado, escondeu as pedras no salto de suas botas. Mais tarde, caiu exausto ao pé da estrada, onde ficou desacordado. Para sua sorte, uma caravana de mercadores que seguia viagem para seu reino, o encontrou e cuidou dele.
  Ao recobrar os sentidos, encontrou-se de volta em sua cidade. Imediatamente foi ter com o rei para contar o que havia acontecido e com a maior desfaçatez, colocou toda  culpa do insucesso nas costas do cavalo fraco e doente que recebera. --  Porém, majestade conforme me recomendaste cuidar do mais importante, aqui estão as pedras que me confiaste. Devolvo-as a ti.   Não perdi uma sequer!
  O rei recebeu de suas mãos com tristeza e o despediu, mostrando completa frieza diante de seus argumentos.
  Abatido, o jovem deixou  o palácio arrasado. Em casa ao tirar a roupa suja, encontrou na bainha da calca mensagem do rei, que dizia: Ao meu irmão, rei da terra do Norte. O jovem que te envio é candidato a casar com minha filha. Esta jornada é uma prova. Dei a ele alguns diamantes e bom cavalo. Recomendei que cuidasse do mais importante. Faz-me, portanto este grande favor e verifique o estado do cavalo. Se o animal estiver forte e viçoso, saberei que o jovem aprecia a fidelidade e força de quem o auxilia  na jornada.


 Se porém, perder o animal e apenas guardar as pedras, não será um bom marido nem rei, pois terá olhos apenas para o tesouro do reino e não dará importância á rainha nem àqueles que o servem.

  Por vezes o ser humano segue sua jornada na vida, tão preocupado com seu exterior, isto é, com os bens, que tudo guarda como se fosse ouro, esquecendo-se de alimentar sua alma e espírito com a alegria e o amor aos outros.

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