Cumpriu-se o velho ditado: “Quem está vivo sempre aparece”. Jogada de marketing ou não, Belchior foi “encontrado pela reportagem da TV Globo” num lugar que me pareceu deslumbrante, uma casa de campo no interior de um lugar qualquer... Lembrei-me de Manuel Bandeira e de seus versos sobre um lugar de fuga, que eu pensava não existir, até ver onde Belchior estava. Vou-me Embora pra Pasárgada (Manuel Bandeira) Vou-me embora pra Pasárgada Lá sou amigo do rei Lá tenho a mulher que eu quero Na cama que escolherei Vou-me embora pra Pasárgada Vou-me embora pra Pasárgada Aqui eu não sou feliz Lá a existência é uma aventura De tal modo inconseqüente Que Joana a Louca de Espanha Rainha e falsa demente Vem a ser contraparente Da nora que nunca tive E como farei ginástica Andarei de bicicleta Montarei em burro brabo Subirei no pau-de-sebo Tomarei banhos de mar! E quando estiver cansado Deito na beira do rio Mando chamar a mãe-d'água Pra me contar as histórias Que no tempo de eu menino Rosa vinha...
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