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Confissões de um Contador de história

Cresci ouvindo causos e histórias do folclore brasileiro e especialmente da tradição oral do gaúcho. Morava no interior e após o jantar nos reuníamos na sala de casa para ouvir a história especial daquele dia, contada por algum integrante da família. Passou a ser uma rotina que me lembra muito o conto da árvore dos sapatos, uma das histórias que contei na Rádio Cultura e que está na página 22 do meu livro "Contador de história". Meu pai gostava de contar histórias em que ele era sempre o herói. Ele gostava de ensinar que, diante da mentira e da injustiça, uma pessoa de bem não deve se calar. Ele era para mim, uma espécie de Dom Quixote. Confesso que em muitas histórias contadas por meu pai, eu e meus irmãos sabíamos que era pura fantasia do velho, mas que foram importantes para trabalhar os medos, emoções positivas e descobrirmos os nossos limites, numa verdadeira aula de autoconhecimento. Hoje percebo o valor de exercitar a imaginação, de construir imagens na abstração de id...